Semicondutores representam hoje a base de quase toda a tecnologia que utilizamos, desde smartphones até equipamentos médicos avançados.
Para fortalecer esse setor estratégico, o Governo Federal abriu uma chamada pública que destinará R$ 100 milhões para projetos de inovação em empresas brasileiras. A iniciativa busca transformar pesquisas acadêmicas em soluções práticas para o mercado.
O edital faz parte da segunda rodada do programa Mais Inovação Brasil e foca em projetos que apresentam o chamado risco tecnológico. Isso significa que os recursos serão direcionados para pesquisas e desenvolvimentos cujos resultados ainda possuem incertezas técnicas, algo comum na criação de novas tecnologias de ponta.
As empresas interessadas têm até o dia 30 de setembro de 2026 para submeter suas propostas.
Parceria entre empresas e centros de pesquisa
Um dos diferenciais desta seleção é a obrigatoriedade de cooperação. Para acessar o fomento, as empresas devem obrigatoriamente atuar em parceria com Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs).
Esse modelo garante que o conhecimento gerado nas universidades e centros de pesquisa chegue efetivamente ao setor produtivo nacional.
A modalidade de apoio é a subvenção econômica, ou seja, recursos públicos que não precisam ser devolvidos, desde que aplicados conforme as regras do edital. O investimento pode ser usado para diversas frentes, como:
Criação ou aprimoramento de produtos e processos eletrônicos;
Desenvolvimento de protótipos e realização de testes;
Certificações técnicas e proteção de propriedade intelectual.
Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, fortalecer esse segmento é vital para a soberania do país. O investimento na base tecnológica sustenta a indústria moderna e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico e social.
Fases de seleção e incentivo regional
O processo de escolha das propostas será dividido em duas etapas principais. Primeiro, ocorre a fase de habilitação, onde são conferidos documentos e a capacidade financeira das proponentes.
Em seguida, a análise de mérito avalia o grau de inovação, a qualificação da equipe técnica e o potencial de mercado da solução apresentada.
Como forma de incentivar o equilíbrio tecnológico entre as diferentes partes do Brasil, projetos vindos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão uma pontuação adicional na avaliação.
A ideia é descentralizar o desenvolvimento de alta tecnologia e fomentar novos polos de inovação fora do eixo tradicional.
Impacto na Nova Indústria Brasil
Este investimento de R$ 100 milhões está inserido em um contexto maior da política industrial brasileira. O programa Mais Inovação Brasil prevê, ao todo, R$ 3,3 bilhões para áreas estratégicas utilizando recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Ao reduzir a dependência de componentes importados, o Brasil ganha competitividade em setores essenciais como defesa, saúde e telecomunicações.
As empresas que desejam participar devem se atentar ao prazo final em setembro e consultar o regulamento completo disponível no site da Finep.