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Computação quântica: pesquisadores criam qubits móveis para facilitar escala de processadores

Novo método utiliza elétrons que se deslocam pelo chip de silício, resolvendo gargalos de fiação e permitindo conectividade dinâmica no hardware.

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Redação

09/05/2026 02:32 · 3 min

Representação artística de chip semicondutor de silício

A computação quântica acaba de dar um passo decisivo para sair dos laboratórios e ganhar escala comercial. Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda, demonstraram pela primeira vez que é possível realizar operações lógicas entre elétrons que se movem fisicamente dentro de um chip de silício.

O avanço, publicado na revista Nature em maio de 2026, pode solucionar um dos maiores problemas da área: a dificuldade de conectar milhares de qubits em um espaço limitado.

Diferente dos processadores tradicionais que mantêm seus componentes fixos, a equipe liderada por Lieven Vandersypen no QuTech utilizou uma técnica chamada transporte em modo transportador.

Nesse sistema, sinais elétricos criam uma espécie de onda que carrega elétrons individuais por todo o chip. Isso elimina a necessidade de fiações complexas para cada bit quântico, já que a informação pode ser levada até onde precisa interagir.

Interação e precisão em movimento

A pesquisa mostrou que é possível fazer com que dois spins de elétrons interajam apenas aproximando-os um do outro durante o trajeto. Os resultados foram impressionantes para o setor: os cientistas alcançaram uma fidelidade de 99 por cento nas portas lógicas de dois qubits.

Além disso, conseguiram implementar a teleportação de estado quântico entre componentes fisicamente separados com 87% de precisão.

Essa flexibilidade permite que o hardware seja reconfigurado dinamicamente durante o uso.

Com qubits móveis, o processador pode dedicar zonas específicas para diferentes tarefas, como medição de dados ou correção de erros, sem ficar preso a uma arquitetura estática e limitada pelo emaranhado de cabos de controle.

Um dos pontos mais celebrados pela comunidade científica é o material utilizado no experimento.

O dispositivo foi fabricado com silício-germânio, materiais que já são o padrão da indústria global de semicondutores. Isso significa que, em tese, as fábricas de chips atuais poderiam produzir esses processadores quânticos sem precisar de métodos exóticos ou configurações ópticas extremas.

O avanço ocorre em um momento de aceleração para a computação quântica baseada em silício. Em abril, a mesma instituição já havia demonstrado circuitos programáveis com seis qubits.

Agora, o novo paradigma de transporte deve se tornar uma característica universal para que os computadores quânticos alcancem a escala de milhares, ou milhões, de qubits necessária para aplicações práticas de alto impacto.

Para o mercado de tecnologia, o próximo passo será integrar essa mobilidade em sistemas ainda maiores, testando a estabilidade dos dados em processos de fabricação em massa.

Se os resultados se mantiverem, a barreira da conectividade física deixará de ser o principal impeditivo para a próxima revolução da computação.

Fonte: Nature / QuTech — https://www.nature.com/articles/s41586-026-10423-9

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