Alibaba revela chip zhenwu v900 e plano de us$ 53 bilhões para desafiar a Nvidia na IA

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Alibaba revela chip zhenwu v900 e plano de us$ 53 bilhões para desafiar a Nvidia na IA

A Alibaba apresentou na Apsara Conference o Zhenwu V900, chip de IA três vezes mais potente que o anterior, com produção em massa prevista para 2027, meta de 20 gigawatts em data centers até 2032 e expansão da nuvem que já inclui dois data centers em São Paulo.

A Alibaba apresentou na terça-feira, 22, durante a Apsara Conference em Hangzhou, o Zhenwu V900, chip que a companhia descreve como o mais poderoso de inteligência artificial já produzido na China, peça central de um plano de US$ 53 bilhões em IA e nuvem que inclui meta de 20 gigawatts em data centers até 2032 e expansão internacional que já chegou ao Brasil.

O que a alibaba anunciou na apsara conference

Depois de décadas construída em torno do comércio eletrônico, a Alibaba está se reinventando como uma empresa de inteligência artificial. O anúncio mais recente da companhia mostra o tamanho da aposta: na Apsara Conference, evento anual em Hangzhou, o CEO Eddie Wu apresentou o Zhenwu V900, descrito como o chip de IA mais poderoso já produzido na China.

Desenvolvido pela T-Head, divisão de semicondutores da Alibaba, o Zhenwu V900 promete desempenho três vezes superior ao do modelo anterior, o Zhenwu M890, lançado em maio. Segundo a empresa, ele pode ser combinado em clusters de até 500 mil unidades para treinar os modelos de IA mais avançados, com produção em massa prevista para o primeiro trimestre de 2027.

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A afirmação de desempenho é da própria Alibaba e não foi verificada de forma independente, um ponto que o mercado costuma tratar com cautela quando se trata de benchmarks de hardware.

Quem já usa os chips zhenwu hoje

A família Zhenwu já soma mais de 100 mil unidades em operação na nuvem pública da empresa, usadas por mais de 650 clientes de setores como automotivo, financeiro e energético.

Mais de 30 montadoras e empresas de direção autônoma usam os chips para pesquisa e desenvolvimento, segundo documento arquivado pela companhia junto à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

Da fabricação de chips à disputa por trilhões de parâmetros

O chip é só uma parte de uma estratégia mais ampla. No mesmo evento, Eddie Wu anunciou planos para desenvolver um futuro modelo da família Qwen com entre 5 trilhões e 10 trilhões de parâmetros, mais que o dobro do Qwen3.8-Max, lançado em agosto com 2,4 trilhões, hoje o maior modelo da companhia.

Segundo a empresa, a equipe do Qwen já explora uma técnica chamada aprimoramento recursivo, em que sistemas de IA ajudam a melhorar suas próprias capacidades. Mas o que sustenta financeiramente esse plano?

A meta de 20 gigawatts de capacidade, segundo analistas do banco Citigroup, poderia gerar mais de US$ 160 bilhões em receita externa para a divisão de nuvem da empresa. Para efeito de comparação, um data center de 1 gigawatt que a Meta anunciou em julho, no Canadá, custou cerca de US$ 9 bilhões.

Todo esse plano está apoiado num compromisso já assumido pela empresa: mais de US$ 53 bilhões em investimentos em infraestrutura de IA e nuvem ao longo de três anos, valor parcialmente financiado por uma oferta de ações que levantou cerca de US$ 10,2 bilhões em Hong Kong, em agosto.

Reação do mercado

As ações da Alibaba reagiram bem ao anúncio do chip. Os papéis negociados em Hong Kong subiram 2%, e os listados em Nova York avançaram mais de 3% no pré-mercado.

O Zhenwu V900 promete desempenho três vezes superior ao modelo anterior e pode ser combinado em clusters de até 500 mil unidades, segundo a Alibaba.

Info: a produção em massa do Zhenwu V900 está prevista para o primeiro trimestre de 2027, e a família de chips já tem mais de 100 mil unidades em operação na nuvem pública da companhia.

Os números que sustentam a aposta

A pressa por investir tanto em chips e data centers tem explicação nos resultados recentes da empresa. No trimestre encerrado em 30 de junho, a receita externa da Alibaba Cloud cresceu 45% na comparação anual, com a receita de produtos ligados à IA registrando crescimento de três dígitos pelo décimo segundo trimestre consecutivo, uma sequência que já dura três anos.

Só esses produtos de IA somaram 12,4 bilhões de iuanes no trimestre, equivalentes a 35% de toda a receita externa da divisão de nuvem, com uma taxa de execução anualizada de 49,5 bilhões de iuanes (cerca de US$ 6,9 bilhões).

O crescimento, porém, tem custo. O lucro ajustado da empresa caiu 30% no mesmo período, atribuído pela própria Alibaba ao volume de investimento em infraestrutura e tecnologia de IA. E qual é a lógica de longo prazo por trás desse sacrifício de margem?

Em teleconferência com investidores, a diretoria da empresa afirmou que, no curto prazo, o valor gerado pela IA deve continuar concentrado em chips e infraestrutura de nuvem, dada a restrição de oferta global de componentes, e que, no longo prazo, a monetização deve migrar para produtos e resultados de IA, em vez de depender apenas do acesso a modelos via API.

Atenção: o lucro ajustado da Alibaba caiu 30% no trimestre por causa dos investimentos em IA. A estratégia só se sustenta se a receita de nuvem continuar crescendo em ritmo acelerado nos próximos anos.

Uma corrida por reduzir a dependência de chips estrangeiros

O avanço em hardware próprio também tem um motivo estratégico específico: reduzir a dependência da Nvidia. Com as restrições americanas à venda de processadores avançados para a China, desenvolver chips domésticos se tornou prioridade para empresas chinesas de IA, e a Alibaba também estuda abrir o capital da T-Head separadamente, para aproveitar o apetite dos investidores pelo mercado de aceleradores de IA.

O anúncio do chip ocorreu poucos dias antes do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Washington, num momento em que chips, modelos avançados e restrições de exportação seguem no centro da disputa entre as duas potências.

Um estudo do NIST, instituto de padrões dos Estados Unidos, já apontou que a distância entre os modelos chineses e a fronteira tecnológica americana está encolhendo rapidamente: em maio, o DeepSeek V4 Pro foi avaliado cerca de oito meses atrás da fronteira; em julho, um modelo da chinesa Zhipu AI já foi considerado comparável a um sistema americano lançado apenas seis meses antes.

De olho no brasil e em outros mercados emergentes

Enquanto investe pesado em chips e data centers na China, a Alibaba também acelera a expansão internacional da nuvem, e o Brasil já entrou nesse radar. Em 27 de agosto, a Alibaba Cloud inaugurou sua primeira região de nuvem na América do Sul, com dois data centers em São Paulo, oferecendo serviços de computação, armazenamento, segurança e bancos de dados a partir de infraestrutura local.

"O Brasil é uma das economias digitais mais dinâmicas do mundo e um novo mercado central para a expansão da Alibaba Cloud na América Latina", disse Allen Guo, vice-presidente de Negócios Internacionais da empresa.

A chegada ao país segue o mesmo modelo adotado em outras regiões recentes, como México, França, Japão, Coreia do Sul e Malásia: parcerias com empresas locais para construir um ecossistema em torno da nuvem chinesa. Como isso se traduz para empresas brasileiras na prática?

No Brasil, a Insi vai revender o portfólio de nuvem e IA da Alibaba de forma personalizada para empresas locais, enquanto a 4Linux, especializada em software livre, vai combinar os modelos abertos da família Qwen com sua experiência de implantação para levar IA generativa a empresas brasileiras.

Com a nova região, a Alibaba Cloud passou a operar 106 zonas de disponibilidade em 31 regiões ao redor do mundo, disputando diretamente espaço com rivais americanas como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure em mercados emergentes. Na avaliação do Mercado de TI, a presença local de infraestrutura tende a pressionar preços e ampliar opções de nuvem híbrida para empresas brasileiras que hoje concentram workloads em provedores americanos.

Dica: empresas brasileiras que avaliam fornecedores de nuvem agora podem cotar a Alibaba Cloud com data centers em São Paulo, o que reduz latência e ajuda em requisitos de residência de dados exigidos em setores regulados.

A próxima geração dos modelos Qwen

A entrada no Brasil também chega num momento de transição tecnológica dentro da própria Alibaba: a empresa lançou recentemente o Qwen3.8-Flash, modelo multimodal de 125 bilhões de parâmetros, dos quais 6 bilhões são ativados por token, apresentado como prévia da arquitetura que deve sustentar a próxima geração de modelos da companhia, o Qwen4, atualmente em treinamento.

Entre chip próprio, modelo cada vez maior e nuvem em expansão para novos países, a aposta da Alibaba é depender cada vez menos de fornecedores externos e construir, internamente, a maior parte possível da infraestrutura necessária para competir na corrida global da IA.

Principais números da estratégia de IA da Alibaba, segundo a própria companhia e analistas do Citigroup
NúmeroValorContexto
Investimento em IA e nuvemMais de US$ 53 bilhõesCompromisso de três anos da Alibaba
Meta de capacidade20 gigawattsData centers da Alibaba Cloud até 2032
Receita potencial da metaMais de US$ 160 bilhõesEstimativa de analistas do Citigroup
Crescimento da receita externa45% ao anoAlibaba Cloud no trimestre encerrado em 30 de junho
Receita de produtos de IA12,4 bilhões de iuanes35% da receita externa da divisão de nuvem no trimestre
Queda do lucro ajustado30%Atribuída ao investimento em infraestrutura e IA

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

O próximo marco a acompanhar é o início da produção em massa do Zhenwu V900, previsto para o primeiro trimestre de 2027, e a eventual abertura de capital da T-Head, que daria ao mercado um termômetro real do valor dos chips chineses de IA.

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· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

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