A Alibaba apresentou nesta terça-feira, 22, o Zhenwu V900, chip de inteligência artificial que a companhia chinesa classifica como o mais poderoso do país, e anunciou um plano para ampliar a capacidade de seus data centers para mais de 20 gigawatts até 2032, com produção em massa do processador prevista para o primeiro trimestre de 2027.
O que a alibaba anunciou na apsara conference
A Alibaba apresentou o Zhenwu V900, chip de inteligência artificial desenvolvido pela T-Head, sua divisão de semicondutores, que a empresa chama de o mais poderoso da China. O anúncio foi feito pelo CEO do grupo, Eddie Wu, durante a Apsara Conference, evento anual da companhia em Hangzhou que segue até quinta-feira.
Segundo a empresa, o novo processador entrega desempenho três vezes superior ao do modelo anterior e pode ser combinado em grupos de até 500 mil unidades para treinar modelos de fronteira. A produção em massa está prevista para o primeiro trimestre de 2027. A família Zhenwu já soma 560 mil unidades entregues e atende mais de 650 clientes dos setores automotivo, financeiro e de energia.
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Ao mesmo tempo, a Alibaba prepara a abertura da sua primeira região de nuvem na América Latina, em São Paulo, o que aproxima a Alibaba Cloud de empresas brasileiras que hoje dependem de regiões nos Estados Unidos para latência aceitável.
- Zhenwu V900: desempenho 3 vezes superior ao chip anterior, segundo a Alibaba
- Escala: clusters de até 500 mil unidades para treinamento de modelos de fronteira
- Produção em massa: prevista para o primeiro trimestre de 2027
- Base instalada: 560 mil chips entregues e mais de 650 clientes
- Brasil: primeira região da Alibaba Cloud na América Latina ficará em São Paulo
Plano de 20 gigawatts e a comparação com projetos americanos
A meta da Alibaba é ampliar a capacidade de seus data centers para mais de 20 gigawatts até 2032, um número que Wu justifica pela expectativa de crescimento exponencial da demanda por IA. É uma das maiores apostas de infraestrutura já anunciadas por uma empresa chinesa.
O plano, porém, ainda fica abaixo de alguns projetos americanos. A Meta anunciou em julho um data center de 1 gigawatt em Alberta, no Canadá, com custo estimado em US$ 9 bilhões, enquanto o SoftBank planeja um centro de computação de 10 gigawatts em Ohio. A corrida por capacidade computacional segue como o eixo central da competição entre empresas de IA, tema que o Mercado de TI já detalhou na cobertura sobre Nvidia, chips e a corrida por capacidade de IA.
Por que 20 gigawatts importam tanto para quem acompanha infraestrutura? Porque capacidade elétrica virou o principal gargalo do treinamento de modelos: sem energia e data centers, não existe escala de IA, independentemente da qualidade do chip.
Modelo de até 10 trilhões de parâmetros e a ambição da superinteligência
Além do hardware, a Alibaba pretende desenvolver um modelo de IA com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros, voltado a tarefas mais longas e complexas, bem acima do que é comum hoje entre modelos abertos. A companhia é dona do Qwen, família de modelos que afirma ser a mais baixada do mundo.
No evento, Wu reafirmou a ambição de chegar à chamada superinteligência artificial e resumiu a visão da empresa com uma comparação direta: "AI coding é simplesmente a lâmpada da era da inteligência das máquinas".
A estratégia combina modelos abertos em escala com hardware próprio, movimento semelhante ao que o mercado observa em alternativas como os modelos open-weight Qwen3, que reduzem o custo de inferência em até 10 vezes.
Tensão geopolítica e redução da dependência da Nvidia
O alvo estratégico do anúncio é explícito: reduzir a dependência de chips estrangeiros. Com as restrições dos Estados Unidos à venda de processadores avançados da Nvidia para a China, desenvolver hardware próprio virou prioridade para as empresas chinesas de IA. A Alibaba ainda planeja abrir o capital da T-Head para capturar o interesse de investidores em aceleradores de IA, segundo a Bloomberg.
O anúncio acontece às vésperas da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para esta semana, na qual a IA deve ocupar lugar de destaque. Executivos como Jensen Huang, da Nvidia, e Satya Nadella, da Microsoft, devem participar de um jantar de Estado na Casa Branca com os dois líderes.
O tema é sensível: o governo americano acusa a Alibaba e outras desenvolvedoras chinesas, como a DeepSeek, de acessar ilicitamente modelos avançados dos Estados Unidos para desenvolver os próprios produtos. Pequim nega as acusações e promete retaliar caso Washington adote medidas contra empresas chinesas de IA.
| Projeto | Capacidade | Local | Investimento informado |
|---|---|---|---|
| Alibaba (data centers até 2032) | Mais de 20 gigawatts | China e expansão global, incluindo São Paulo | Não informado |
| SoftBank | 10 gigawatts | Ohio, Estados Unidos | Não informado |
| Meta | 1 gigawatt | Alberta, Canadá | US$ 9 bilhões (estimado) |
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Na avaliação do Mercado de TI, o movimento indica que a disputa entre chipmakers ocidentais e chineses deixou de ser apenas comercial e passou a ser decisão de Estado. Para empresas brasileiras, a chegada da região de São Paulo tende a baratear o acesso a serviços de IA em nuvem e aumentar a concorrência com AWS, Azure e Google Cloud no país, especialmente em cargas de inferência.
Fonte: Exame Tecnologia