Criptografia pós-quântica no setor financeiro: nist aposenta algoritmos após 2030 e exige migração urgente

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Criptografia pós-quântica no setor financeiro: nist aposenta algoritmos após 2030 e exige migração urgente

A criptografia pós-quântica já existe como padrão do NIST, e fintechs, bancos e seguradoras correm contra o prazo de 2030 para migrar sistemas legados antes que a computação quântica quebre RSA e ECC.

A computação quântica vai quebrar a criptografia de chave pública usada hoje pelo setor financeiro, e a contramedida técnica já existe: a criptografia pós-quântica (PQC).

Em agosto de 2024, o NIST finalizou os três primeiros padrões (FIPS 203, FIPS 204 e FIPS 205) e planeja aposentar os algoritmos quântico-vulneráveis mais fracos após 2030, o que coloca CIOs e CISOs de bancos e seguradoras diante de uma migração multianual de stacks tecnológicos com décadas de idade.

Por que a criptografia atual vai deixar de proteger bancos e seguradoras

A criptografia moderna repousa sobre dois problemas matemáticos computacionalmente difíceis para computadores clássicos em tamanhos suficientemente grandes: a fatoração de números grandes e o cálculo de logaritmos discretos. Os algoritmos RSA e de curvas elípticas (ECC), amplamente usados para estabelecimento de chaves e assinaturas digitais em protocolos como o Transport Layer Security (TLS), dependem da dificuldade contínua desses problemas.

Um computador quântico suficientemente poderoso executando o algoritmo de Shor resolveria ambos, quebrando RSA e ECC por completo. Para o setor financeiro, isso não é hipótese teórica: é risco operacional que atravessa sistemas de pagamento, infraestrutura de core banking e registros de clientes mantidos por décadas.

A criptografia pós-quântica substitui essas fundações por matemática diferente: problemas de reticulados (lattices), assinaturas baseadas em hash e esquemas baseados em códigos, que continuam difíceis mesmo para computadores quânticos. O detalhe mais importante para executivos, segundo Dennis-Kenji Kipker, diretor científico do cyberintelligence.institute e autor da análise original para o Forbes Technology Council, é que a PQC roda inteiramente em hardware clássico e se encaixa em protocolos existentes como TLS e IPsec. Trata-se de migração de software e certificados, não de construção de infraestrutura quântica.

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O que é o ataque harvest now, decrypt later e por que ele já é uma ameaça real

A urgência é maior para dados que precisam permanecer confidenciais por anos ou décadas, como contratos de empréstimo, cadastros de clientes e arquivos regulatórios. Dados interceptados hoje já estão em risco, mesmo que um computador quântico capaz só chegue daqui a uma década.

Esse padrão é conhecido como harvest now, decrypt later: o adversário captura e armazena tráfego cifrado agora para decifrá-lo quando a capacidade quântica estiver disponível. Na prática, isso significa que o prazo de migração não começa quando o computador quântico existir, mas já corre hoje para qualquer dado de longa retenção.

Também é comum a confusão entre PQC e distribuição quântica de chaves (QKD). A QKD troca chaves por meio das propriedades físicas de fótons em links dedicados de fibra óptica e só funciona ponto a ponto, em distâncias limitadas. Para core banking e trilhos de pagamento, isso não é comercialmente prático, ao contrário da PQC, que se integra à infraestrutura existente.

Mas o que muda para um banco brasileiro que opera PIX e open finance? A lógica é a mesma descrita pelo autor: dados sensíveis de clientes interceptados hoje em APIs expostas permanecem valiosos por décadas, e a dependência de fornecedores de hardware de segurança (HSMs) torna o cronograma de migração parcialmente externo à instituição.

Quais padrões o nist já finalizou e qual é o cronograma oficial

Em agosto de 2024, o NIST finalizou os três primeiros padrões de criptografia pós-quântica: FIPS 203, FIPS 204 e FIPS 205. O ML-KEM cuida da troca de chaves resistente a quantum, enquanto ML-DSA e SLH-DSA cobrem assinaturas digitais.

O cronograma regulatório também já está definido. O NIST planeja aposentar os algoritmos quântico-vulneráveis mais fracos após 2030 e descontinuar a maioria dos demais até 2035. Em março de, o instituto ainda selecionou o HQC como algoritmo adicional, uma proteção contra eventuais fraquezas descobertas nos esquemas baseados em reticulados.

O ponto central é que nenhum algoritmo permanece confiável para sempre. Por isso, a agilidade criptográfica importa tanto quanto qualquer padrão individual: sistemas que embutem algoritmos de criptografia diretamente no código são os mais difíceis de migrar, enquanto os que chamam criptografia por bibliotecas gerenciadas centralmente conseguem trocar algoritmos conforme novas descobertas exigem.

Segundo a experiência de Kipker avaliando instituições financeiras, essa é a parte mais subestimada do projeto: aplicações legadas frequentemente enterram parâmetros criptográficos no meio do código-fonte, transformando o que deveria ser uma mudança de configuração em reescrita de software.

O que reguladores e o mercado já sinalizaram sobre o prazo

Washington transformou a migração de boa prática em expectativa formal. A Commercial National Security Algorithm Suite 2.0 da NSA exige que sistemas de segurança nacional abandonem RSA, Diffie-Hellman e criptografia de curvas elípticas à medida que o CNSA e torna obrigatório nos próximos anos.

A CISA, em conjunto com NSA e NIST, orienta organizações de infraestrutura crítica, incluindo serviços financeiros, a construir um inventário criptográfico e um roteiro de preparação quântica agora, com o alerta de que adversários já podem estar colhendo dados para decifrar depois.

O TLS 1.3 is now on by default for Google Cloud services (cloud.google.com)" rel="nofollow noopener noreferrer" target="_blank">FS-ISAC, que representa instituições financeiras e infraestruturas globalmente, alertou separadamente contra a cripto-procrastinação: subestimar a complexidade da migração ou tratar a ameaça quântica como risco distante pode deixar organizações correndo para concluir uma transição que levará anos.

Enquanto isso, o mercado já se moveu. O TLS 1.3 já suporta esquemas híbridos em produção, e o Google Cloud ativou TLS 1.3 por padrão; o Google também habilitou criptografia pós-quântica híbrida por padrão no Chrome em 2020, e grandes provedores de nuvem fizeram o mesmo. Nos esquemas híbridos, um algoritmo clássico (RSA ou ECC) é pareado com um pós-quântico no mesmo handshake: a conexão permanece segura enquanto qualquer um dos dois resistir.

Como construir uma arquitetura quantum-safe na prática

A agilidade criptográfica só funciona se o gerenciamento de chaves e certificados for centralizado e desacoplado das aplicações individuais. Na prática, esse desacoplamento geralmente não existe, porque sistemas construídos ao longo de muitos anos implementaram criptografia de forma inconsistente, aplicação por aplicação.

Uma infraestrutura de chave pública resiliente, com dono claro e rotação automatizada de certificados, é a fundação de qualquer arquitetura quantum-safe. Ela deve ser reforçada por princípios de zero trust, que autenticam cada sessão individualmente em vez de confiar em um perímetro de rede. Credenciais de longa duração e chaves de assinatura são alvos primários do harvest now, decrypt later, o que faz as duas abordagens se fortalecerem mutuamente.

Sistemas novos devem nascer quantum-secure-by-design, e compras devem exigir dos fornecedores compromissos concretos com roteiros de PQC antes da assinatura do contrato. O exemplo do autor é direto: a assinatura de transações de um core banking frequentemente passa por um hardware security module cujo fabricante não tem cronograma pós-quântico anunciado, uma dependência que precisa aparecer cedo no radar.

O mesmo vale para interfaces de pagamento em ISO 20022, APIs de open banking e endpoints TLS em nuvem, os pontos mais expostos e mais difíceis de inventariar. A recomendação é pressionar fornecedores a oferecer TLS híbrido e gerenciamento de chaves quantum-safe como serviço.

Por onde começar a migração e o que trava os projetos

Toda migração começa por um inventário criptográfico completo: algoritmos, tamanhos de chave, tempos de vida de certificados, APIs e dependências de fornecedores. A partir dele, a priorização usa dois fatores: a sensibilidade e o período de retenção dos dados, e o grau de exposição externa do sistema.

Interfaces voltadas à internet que guardam dados de clientes de longa duração devem migrar antes de sistemas internos de back-office. Componentes embarcados como HSMs, dependentes de ciclos de fornecedores fora do controle da instituição, exigem a maior antecedência de todas.

Um dos maiores obstáculos é organizacional, não técnico. Arquitetura de segurança, desenvolvimento de aplicações e unidades de negócio partem de prioridades diferentes, e construir urgência compartilhada dá trabalho antes de qualquer migração começar. Um programa multifuncional com governança clara, orçamento, cronograma e responsáveis visíveis por vários anos, consistentemente supera tratar PQC como tarefa de um único time de TI. Especialistas com experiência real em pós-quântica também seguem escassos no mercado.

Padrões de criptografia pós-quântica definidos pelo NIST
AlgoritmoFunçãoStatusObservação
ML-KEM (FIPS 203)Troca de chaves quantum-safePadronizado em agosto de 2024Substitui RSA e ECC no estabelecimento de chaves
ML-DSA (FIPS 204)Assinatura digitalPadronizado em agosto de 2024Baseado em reticulados
SLH-DSA (FIPS 205)Assinatura digitalPadronizado em agosto de 2024Baseado em hash, alternativa aos reticulados
HQCCifragem de chave de reservaSelecionado em março de Proteção contra fraquezas em esquemas de reticulados

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

Na avaliação do Mercado de TI, o paralelo brasileiro é direto: instituições que já enfrentam inventários complexos de dados por causa da LGPD têm vantagem de partida, porque o mapeamento de ativos sensíveis é o mesmo exercício exigido pelo inventário criptográfico. A criptografia pós-quântica não é um projeto com data de fim: toca arquitetura, governança, compras e planejamento de equipe ao mesmo tempo, atravessa múltiplos ciclos orçamentários e só funciona quando conselho, CIO, CISO e diretor de riscos assumem a responsabilidade em conjunto, como já acontece com temas de segurança de infraestrutura crítica e migração para zero trust. Instituições que começam o inventário agora e pilotam implantações híbridas conduzirão a transição quântica no próprio ritmo, não no ritmo do adversário.

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· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

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