Meta: antes de construir um agente de IA, programe as habilidades que ele vai usar

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Meta: antes de construir um agente de IA, programe as habilidades que ele vai usar

Ambarish Majumdar, da Meta, defende começar por habilidades modulares de IA, com entradas e saídas claras, em vez de construir um único agente complexo de uma vez.

Antes de construir um agente de IA, programe as habilidades individuais que ele vai precisar usar. É o que defende Ambarish Majumdar, Marketing Science Partner da Meta, em artigo no Forbes Technology Council, alinhado às práticas de Anthropic e OpenAI.

O que é uma habilidade de IA e por que ela vem antes do agente

Uma habilidade de IA é um componente que faz uma única coisa bem feita, como recuperar informação, resumir um documento, classificar uma solicitação ou validar uma saída. Segundo Majumdar, times costumam começar pelo nível errado: imaginam o agente completo antes de definir as capacidades que ele realmente precisa.

A distinção segue a linha que a Anthropic propõe ao separar workflows, onde modelos e ferramentas seguem caminhos predefinidos, de agentes, onde o modelo determina dinamicamente como cumprir a tarefa. Programar habilidades focadas permite compor comportamento agêntico sem um agente monolítico.

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Majumdar cita a própria experiência na Microsoft, onde trabalhou com medição de relevância de anúncios do Bing Ads. Usando experimentação e análise, problemas amplos como relevância e qualidade de anúncio foram decompostos em componentes mensuráveis e melhoráveis de forma independente. O mesmo princípio se aplica à IA hoje: construir capacidades focadas, testáveis isoladamente, e depois orquestrá-las.

  • Habilidade: executa uma tarefa específica com entrada e saída previsíveis
  • Agente: decide quais habilidades usar, em que ordem e o que fazer com os resultados
  • Workflow: sequência predefinida de modelos e ferramentas, sem decisão dinâmica do modelo

Como desenhar habilidades que trabalham juntas

Uma habilidade útil tem trabalho claro, entradas definidas e saída previsível, e essa saída precisa ser utilizável por outra habilidade. O raciocínio é o mesmo de desenhar uma API: o que ela precisa receber, o que retorna, o que acontece quando falha e se outro componente consegue usar o resultado de forma confiável.

O exemplo do atendimento ao cliente

No suporte ao cliente, uma habilidade identifica o problema do cliente, outra recupera informações da conta, uma terceira propõe uma resolução e uma quarta valida a proposta contra as políticas da empresa. Nenhuma delas precisa ser um agente. Uma camada de orquestração conecta essas habilidades, repassa as saídas relevantes entre elas e permite reutilização em diferentes workflows.

Avaliação fica mais simples com componentes isolados

Quando tudo vive dentro de um único prompt gigante, identificar o que falhou fica muito mais difícil. Com habilidades separadas, cada uma pode ser medida no seu critério: recuperação pela capacidade de encontrar a informação certa, classificação contra exemplos conhecidos e validação pela detecção de erros específicos.

Orquestração é o que torna o sistema agêntico

Um orquestrador que executa cinco habilidades numa sequência predeterminada está apenas rodando um workflow. O sistema começa a se comportar como agente quando o orquestrador examina um resultado intermediário e decide o próximo passo: chamar outra habilidade, tentar de novo, pedir mais informação ao usuário ou acionar uma validação adicional.

A Anthropic descreve um padrão relacionado chamado orquestrador-trabalhadores, em que um modelo central divide dinamicamente o problema em subtarefas, delega a execução e combina os resultados. Com uma biblioteca pequena de habilidades reutilizáveis, esse mesmo princípio suporta diversos workflows, dependendo apenas de como as peças são orquestradas.

Essa arquitetura também dá controle sobre o grau de autonomia. Partes previsíveis do processo podem permanecer determinísticas, enquanto o modelo decide apenas onde o julgamento agrega valor. O sistema inteiro não precisa ser autônomo para se beneficiar de comportamento agêntico.

Mas vale a pergunta: todo sistema precisa de autonomia máxima desde o primeiro dia? Não, segundo o texto. A arquitetura pode evoluir junto com o problema, em vez de começar com agência máxima. Alguns problemas pedem só workflow fixo; poucos justificam autonomia substancial.

Janelas de contexto grandes mudam o desenho das habilidades

Modelos modernos suportam janelas de contexto cada vez maiores, e a tentação é empurrar tudo para frente: histórico da conversa, documentos, instruções e saídas de etapas anteriores. Mas, alerta o artigo de Majumdar, o fato de a informação caber na janela não significa que cada habilidade precise dela.

A engenharia de contexto da Anthropic trata o contexto como um recurso finito que precisa ser curado ativamente. A OpenAI chega a conclusão parecida no relato sobre seu agente interno de dados: o contexto é central para o desempenho do agente, e fornecer menos contexto, porém mais relevante, pode produzir resultados melhores.

Num workflow de seis etapas, a próxima habilidade provavelmente precisa só do pedido original do usuário e da saída da etapa anterior, não de todos os documentos e respostas intermediárias geradas no caminho. Contexto desnecessário consome tokens, aumenta latência e dá ao modelo mais material para processar.

A recomendação prática: trate o contexto como parte da interface da habilidade. Ao desenhá-la, defina não só entradas e saídas, mas também o contexto necessário. O orquestrador mantém o estado mais amplo do workflow e entrega a cada habilidade apenas o relevante; resultados anteriores viram estado estruturado ou resumos concisos, em vez de histórico completo retransmitido.

Atenção: contexto desnecessário consome tokens, pode aumentar a latência e força o modelo a vasculhar mais informação do que precisa. Cada habilidade deve receber apenas o que vai usar.

Separe instruções, estado e conhecimento

Três coisas costumam ser amontoadas num único prompt grande e deveriam ficar separadas: instruções, que definem o que a habilidade deve fazer; estado, que registra o que já aconteceu no workflow atual; e conhecimento, que fornece a informação externa necessária para completar a tarefa.

Manter essa separação deixa os sistemas mais fáceis de manter e depurar. O conhecimento de negócio pode mudar sem redesenhar a habilidade; cada habilidade pode ser avaliada de forma independente; e problemas de orquestração podem ser investigados sem reescrever todas as capacidades subjacentes. Esses limites ficam mais valiosos conforme o sistema cresce.

Comece pelas habilidades, depois adicione agência

A pergunta inicial certa não é "como construímos um agente para este processo?", mas "de quais capacidades este processo realmente precisa?". A partir daí, o caminho é construir essas capacidades como habilidades focadas, definir entradas e saídas, decidir o contexto de cada uma, testá-las independentemente e só então conectá-las.

Na avaliação do Mercado de TI, o argumento conversa diretamente com a realidade de equipes brasileiras brasileiras pressionadas a "colocar agentes em produção": o artigo funciona como um antídoto contra arquiteturas sobredimensionadas. O objetivo não deve ser construir o maior número possível de agentes, mas capacidades de IA confiáveis que possam ser compostas em sistemas mais sofisticados quando o problema exigir.

O artigo foi publicado no Forbes Technology Council, comunidade exclusiva por convite para CIOs, CTOs e executivos de tecnologia. Majumdar atua como Marketing Science Partner na Meta, onde aplica conhecimento em Marketing Science para aprimorar modelos de IA.

NívelO que fazGrau de autonomia
HabilidadeExecuta uma tarefa específica, como recuperar, resumir, classificar ou validarNenhum: entrada e saída previsíveis
WorkflowEncadeia habilidades em sequência predeterminadaBaixo: caminhos predefinidos
AgenteDecide quais habilidades usar, em que ordem e o que fazer com os resultadosAlto: modelo determina dinamicamente como cumprir a tarefa

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

Dica: antes de qualquer framework de agentes, liste as habilidades do processo com entradas, saídas e contexto necessário. Teste cada uma isoladamente e só então orquestre.

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· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

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