Cibersegurança

IA já é usada para criar ataques zero-day inéditos, alerta Google

Relatório aponta que grupos de hackers automatizaram a descoberta de falhas e a criação de malwares autônomos em escala industrial.

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Redação

11/05/2026 23:56 · Atualizado em 12/05/2026 01:30 · 4 min

Ilustração tecnológica representando segurança digital e inteligência artificial

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa de produtividade para se tornar o motor de uma nova geração de ameaças digitais.

O Google Threat Intelligence Group (GTIG) revelou que identificou, pela primeira vez, um exploit de dia zero (falhas de segurança inéditas) que teria sido desenvolvido integralmente com o apoio de modelos de IA generativa.

De acordo com o relatório divulgado em maio de 2026, grupos de hackers ligados a países como China e Coreia do Norte estão na vanguarda desse movimento.

Eles utilizam personas falsas de especialistas em segurança para enganar filtros de proteção e vasculhar códigos em busca de vulnerabilidades complexas que, anteriormente, exigiriam meses de trabalho humano especializado.

Automação em escala industrial

O cenário descrito pelo Google mostra que os adversários não estão apenas testando comandos básicos. Grupos como o APT45, da Coreia do Norte, enviam milhares de prompts repetitivos para analisar falhas conhecidas e validar novos métodos de invasão de forma recursiva.

Isso permite criar um arsenal de ataques em uma escala impossível de ser gerida de forma manual.

Além da descoberta de falhas, a IA está sendo usada para criar malwares polimórficos. Esses softwares maliciosos conseguem mudar sua própria estrutura para evitar a detecção por antivírus tradicionais.

Um exemplo destacado é o PROMPTSPY, um malware que utiliza modelos de linguagem para interpretar o sistema da vítima e gerar comandos de ataque de forma autônoma e dinâmica.

Outra frente preocupante envolve o uso da tecnologia para operações de influência e desinformação. A campanha russa apelidada de Operation Overload tem utilizado deepfakes e mídia sintética para simular um consenso digital falso, fabricando notícias e vídeos com realismo impressionante para manipular a opinião pública em escala global.

Ataques à cadeia de suprimentos de IA

O relatório também alerta para um novo vetor de risco em que o alvo é a própria infraestrutura de inteligência artificial. O grupo TeamPCP, também conhecido como UNC6780, começou a atacar ambientes de desenvolvimento de modelos e dependências de software.

Ao comprometer essas ferramentas, os invasores conseguem acesso inicial a redes corporativas inteiras para aplicar extorsões e ransomware.

Para contornar as restrições impostas pelas empresas de tecnologia, os cibercriminosos estão profissionalizando o acesso a modelos premium. Eles utilizam infraestruturas automatizadas para registrar contas em massa e burlar limites de uso, garantindo que suas operações de pesquisa de vulnerabilidades funcionem sem interrupções.

O papel da defesa automatizada

Apesar do avanço das ameaças, a tecnologia também está sendo usada para fortalecer as defesas. O Google destacou o uso de agentes como o Big Sleep, que utiliza IA para encontrar vulnerabilidades antes dos hackers, e o CodeMender, capaz de sugerir correções automáticas para códigos inseguros de forma proativa.

Para empresas e profissionais do setor, o próximo passo essencial é reforçar a higiene cibernética e adotar frameworks de segurança específicos para IA.

Acompanhar como essas ferramentas evoluem será determinante para garantir que a inovação digital não se torne uma porta aberta para riscos cibernéticos sem precedentes.

Fonte: Google Cloud Blog — https://cloud.google.com/blog/topics/threat-intelligence/ai-vulnerability-exploitation-initial-access

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