IA já é usada para criar ataques zero-day inéditos, alerta Google

calendar_today 11 de May, 2026
schedule 3 min
IA já é usada para criar ataques zero-day inéditos, alerta Google

Relatório aponta que grupos de hackers automatizaram a descoberta de falhas e a criação de malwares autônomos em escala industrial.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa de produtividade para se tornar o motor de uma nova geração de ameaças digitais.

O Google Threat Intelligence Group (GTIG) revelou que identificou, pela primeira vez, um exploit de dia zero (falhas de segurança inéditas) que teria sido desenvolvido integralmente com o apoio de modelos de IA generativa.

De acordo com o relatório divulgado em maio de 2026, grupos de hackers ligados a países como China e Coreia do Norte estão na vanguarda desse movimento.

# publicidade

Eles utilizam personas falsas de especialistas em segurança para enganar filtros de proteção e vasculhar códigos em busca de vulnerabilidades complexas que, anteriormente, exigiriam meses de trabalho humano especializado.

Automação em escala industrial

O cenário descrito pelo Google mostra que os adversários não estão apenas testando comandos básicos. Grupos como o APT45, da Coreia do Norte, enviam milhares de prompts repetitivos para analisar falhas conhecidas e validar novos métodos de invasão de forma recursiva.

Isso permite criar um arsenal de ataques em uma escala impossível de ser gerida de forma manual.

Além da descoberta de falhas, a IA está sendo usada para criar malwares polimórficos. Esses softwares maliciosos conseguem mudar sua própria estrutura para evitar a detecção por antivírus tradicionais.

Um exemplo destacado é o PROMPTSPY, um malware que utiliza modelos de linguagem para interpretar o sistema da vítima e gerar comandos de ataque de forma autônoma e dinâmica.

Outra frente preocupante envolve o uso da tecnologia para operações de influência e desinformação. A campanha russa apelidada de Operation Overload tem utilizado deepfakes e mídia sintética para simular um consenso digital falso, fabricando notícias e vídeos com realismo impressionante para manipular a opinião pública em escala global.

Ataques à cadeia de suprimentos de IA

O relatório também alerta para um novo vetor de risco em que o alvo é a própria infraestrutura de inteligência artificial. O grupo TeamPCP, também conhecido como UNC6780, começou a atacar ambientes de desenvolvimento de modelos e dependências de software.

Ao comprometer essas ferramentas, os invasores conseguem acesso inicial a redes corporativas inteiras para aplicar extorsões e ransomware.

Para contornar as restrições impostas pelas empresas de tecnologia, os cibercriminosos estão profissionalizando o acesso a modelos premium. Eles utilizam infraestruturas automatizadas para registrar contas em massa e burlar limites de uso, garantindo que suas operações de pesquisa de vulnerabilidades funcionem sem interrupções.

O papel da defesa automatizada

Apesar do avanço das ameaças, a tecnologia também está sendo usada para fortalecer as defesas.

O Google destacou o uso de agentes como o Big Sleep, que utiliza IA para encontrar vulnerabilidades antes dos hackers, e o CodeMender, capaz de sugerir correções automáticas para códigos inseguros de forma proativa.

Para empresas e profissionais do setor, o próximo passo essencial é reforçar a higiene cibernética e adotar frameworks de segurança específicos para IA.

Acompanhar como essas ferramentas evoluem será determinante para garantir que a inovação digital não se torne uma porta aberta para riscos cibernéticos sem precedentes.

COMPARTILHAR

Artigos relacionados

Continue explorando conteúdos sobre Cibersegurança

Athena Coalition: IA e colaboração global para blindar o Open Source
Cibersegurança 18/06/2026

Athena Coalition: IA e colaboração global para blindar o Open Source

A Chainguard lançou a Athena Coalition, uma força-tarefa de IA para mitigar vulnerabilidades em código aberto antes da exploração por criminosos.

IA e Fraude Financeira: O Algoritmo de Dois Gumes na Prevenção
Cibersegurança 22/07/2026

IA e Fraude Financeira: O Algoritmo de Dois Gumes na Prevenção

A Inteligência Artificial (IA) redefine a fraude financeira, tornando golpes mais sofisticados. Explore como a IA capacita criminosos e fortalece defesas no setor financeiro, mergulhando na complexa batalha entre ataque e proteção.

IA não cria novos riscos cibernéticos, mas revoluciona a defesa
Cibersegurança 22/07/2026

IA não cria novos riscos cibernéticos, mas revoluciona a defesa

A Inteligência Artificial Generativa (IA) não introduz riscos fundamentalmente novos no panorama da cibersegurança, mas intensifica as vulnerabilidades existentes, ao mesmo tempo em que oferece aos defensores ferramentas sem precedentes para automatizar e escalar suas operações de segurança. Este artigo explora como a IA, especialmente os LLMs, está transformando a cibersegurança, desde a gestão de vulnerabilidades até a governança, e como as equipes de TI no Brasil podem usar essa tecnologia para sua vantagem competitiva e proteção.