China mira 9,8 mil exaflops e quer quadruplicar computação de IA até 2030

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China mira 9,8 mil exaflops e quer quadruplicar computação de IA até 2030

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) anunciou meta de quadruplicar a capacidade computacional do país até 2030, alcançando 9,8 mil exaflops. O plano prevê investimento acumulado de 3,8 trilhões de yuanes e clusters com até 100 mil GPUs interligadas para treinar modelos avançados de inteligência artificial.

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) definiu como meta quadruplicar a capacidade de computação inteligente do país até 2030, alcançando 9,8 mil exaflops, unidade que mede o desempenho de supercomputadores. O plano prevê investimento acumulado de 3,8 trilhões de yuanes (cerca de US$ 534 bilhões) em infraestrutura de informação entre 2026 e 2030.

  • Meta de 9,8 mil exaflops: quadruplicar a capacidade de computação inteligente até 2030, partindo de 2,18 mil exaflops registrados em junho de 2026.

  • Investimento de US$ 534 bilhões: 3,8 trilhões de yuanes destinados a data centers, redes e recursos de processamento entre 2026 e 2030.

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  • Clusters de 100 mil GPUs: infraestrutura comparável à de Microsoft, Meta e Google, interligando milhares de placas em rede integrada.

  • Autonomia em chips: apoio à SMIC, Hua Hong Semiconductor e Huawei para ampliar produção de wafers de 20 mil para 500 mil até 2030.

  • Modelos próprios em evidência: Alibaba com Qwen3.5, Z.AI com GLM e Moonshot AI com Kimi disputam benchmarks internacionais.

Cluster de 100 mil GPUs: a aposta em infraestrutura colossal

Em vez de depender de máquinas isoladas, a China pretende interligar milhares de placas aceleradoras (GPUs de alta performance) em uma única rede integrada, funcionando como um supercomputador gigante. Para os projetos mais complexos, o governo quer criar infraestruturas que combinam até 100 mil placas em um único cluster.

Esse nível de infraestrutura é comparável ao que pouquíssimas empresas no mundo conseguem construir hoje, como Microsoft, Meta e Google. Para profissionais de infraestrutura e dados, o movimento sinaliza uma mudança relevante: a escala de computação distribuída em clusters massivos se torna o novo padrão competitivo global.

Mas o que isso significa na prática para quem desenvolve sistemas de IA? Treinar modelos com trilhões de parâmetros exige exatamente esse tipo de cluster integrado. Quanto maior a capacidade computacional disponível, mais rápido o ciclo de experimentação e mais ambiciosos podem ser os modelos.

Autonomia tecnológica e a corrida dos semicondutores

A meta de computação se conecta a um esforço mais amplo do governo chinês para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira, em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de semicondutores avançados e equipamentos de fabricação de chips.

Segundo Li Lecheng, ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, a indústria central de inteligência artificial do país já superou 1,2 trilhão de yuanes (cerca de US$ 174 bilhões) em 2025, reunindo mais de 6,2 mil empresas.

Como parte desse esforço de autonomia, Pequim vem apoiando fabricantes locais de chips, como a SMIC, maior fabricante de semicondutores do país, a Hua Hong Semiconductor e divisões da Huawei. O objetivo é ampliar rapidamente a produção de wafers, as placas de semicondutores usadas na fabricação de chips.

Segundo reportagem do Nikkei Asia, a China produz hoje menos de 20 mil wafers, mas a meta é chegar a 100 mil unidades em até dois anos e a 500 mil até 2030. Essa expansão agressiva pode reconfigurar cadeias globais de suprimento e pressionar preços de componentes no mercado internacional.

Vale observar que a meta anunciada pelo MIIT não é isolada. No início deste ano, o governo chinês autorizou a startup DeepSeek a comprar chips H200, modelo intermediário da Nvidia, como alternativa ao Blackwell, o mais avançado da fabricante americana. A liberação ocorreu semanas depois de Washington permitir vendas limitadas de semicondutores a gigantes chinesas como ByteDance, Alibaba e Tencent.

O plano quinquenal e a aposta em modelos próprios

O plano de expansão de computação está inserido no esboço do 15º Plano Quinquenal chinês (2026-2030), que também prevê avanços em sistemas multimodais, agentes de IA e inteligência coletiva. O direcionamento estratégico coloca a China em rota de competição direta com laboratórios americanos.

Empresas locais têm investido pesado em soluções próprias de IA para reduzir a dependência de tecnologia ocidental. A Alibaba, por exemplo, reservou 380 bilhões de yuanes (cerca de US$ 54 bilhões) só para capacidade de computação e infraestrutura de IA, além de desenvolver modelos próprios, como o Qwen3.5.

Startups como Z.AI, por trás do modelo GLM, e a Moonshot AI, criadora do Kimi, também têm ganhado espaço no mercado interno chinês. Elas disputam espaço com os laboratórios americanos em benchmarks internacionais de desempenho, um sinal de que a competição por modelos de linguagem e IA generativa se intensifica.

Governança e a diplomacia da IA

Na frente diplomática, a China também tem buscado protagonismo na definição de regras globais para a tecnologia. Na World AI Conference de 2025, Pequim apresentou um plano de 13 pontos para a governança do que chama de "AI+", destacando cooperação internacional e o papel do Estado na criação de normas.

O plano inclui um documento específico de cooperação com países da América Latina e do Caribe, movimento que interessa diretamente ao Brasil. Para empresas brasileiras que atuam com padrões globais de IA, a aproximação chinesa pode abrir canais de colaboração técnica e comercial.

Segundo Li Lecheng, a tecnologia deve "servir às pessoas, beneficiar as pessoas e permanecer sob controle humano", com potencial para atuar como um bem público global. O discurso busca posicionar a China como referência também na governança internacional de IA, e não apenas na corrida por capacidade computacional.

O impacto para o mercado de tecnologia no Brasil

A expansão chinesa deve pressionar o mercado global de IA em múltiplas frentes: preços de infraestrutura, disponibilidade de modelos e padrões técnicos. Para desenvolvedores brasileiros, o cenário pode significar mais alternativas de modelos e serviços, além de oportunidades em pesquisa e integração.

Segundo as metas do próprio governo chinês, a expectativa é que infraestruturas, tecnologias e serviços baseados em IA estejam presentes em 70% da economia real do país até 2027, chegando a mais de 90% até 2030. Esse nível de penetração tende a gerar um volume massivo de dados e casos de uso que influenciarão práticas globais.

Na avaliação do Mercado de TI, o anúncio do MIIT reforça uma tendência que já se desenha no setor: a competição por IA não é apenas sobre algoritmos, mas sobre infraestrutura de computação em escala. Quem dominar a capacidade de processamento terá vantagem na próxima geração de sistemas inteligentes.

Comparativo entre a situação atual e as metas chinesas para infraestrutura de IA
IndicadorValor atual (junho de 2026)Meta até 2030
Capacidade de computação inteligente2,18 mil exaflops9,8 mil exaflops
Investimento em infraestrutura de informaçãoNão informado na fonte3,8 trilhões de yuanes (US$ 534 bilhões)
Produção de wafersMenos de 20 mil unidades100 mil em 2 anos e 500 mil até 2030
Clusters de GPUs integradasNão informado na fonteAté 100 mil placas por cluster

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O movimento também acelera a descentralização do desenvolvimento de IA, com a China investindo em modelos próprios e infraestrutura soberana. Para o ecossistema brasileiro, acompanhar esses desdobramentos deixa de ser opcional: as decisões de Pequim afetarão cadeias de suprimento, preços de hardware e a disponibilidade de tecnologias no mercado global.

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Fonte: Exame Tecnologia

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