A Amazon deu mais um passo para levar seu serviço de internet via satélite ao Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) homologou o roteador L1LA10 do Amazon Leo, antigo Projeto Kuiper, em 14 de agosto de 2026.
A certificação, porém, ainda não libera o serviço comercialmente. A antena externa ODU continua aguardando homologação e é indispensável para estabelecer a comunicação com os satélites da constelação.
O prazo previsto para o início da operação comercial é 29 de agosto de 2026, com comercialização do serviço pela Sky.
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O que a homologação do roteador significa para o Amazon Leo
A homologação do L1LA10 representa uma etapa importante do processo regulatório brasileiro, mas não significa que o Amazon Leo já esteja pronto para atender consumidores.
Para oferecer internet via satélite, o sistema depende de diferentes componentes, principalmente do equipamento instalado na residência ou empresa para estabelecer comunicação com a constelação em órbita. Por isso, a aprovação da antena ODU ainda é uma etapa fundamental.
O roteador homologado pela Anatel oferece Wi-Fi 6 de duas bandas, Bluetooth Low Energy e conectividade Zigbee. O equipamento também possui três conexões na parte traseira: uma destinada à antena, uma para internet cabeada e outra para alimentação elétrica.
Internamente, o dispositivo utiliza o processador Qualcomm IPQ5018, com dois núcleos Cortex-A53 baseados na arquitetura ARM. A configuração indica um equipamento voltado ao uso doméstico e a pequenos escritórios.
Principais pontos da homologação
• Roteador: L1LA10
• Homologação: 14 de agosto de 2026
• Antena ODU: ainda aguarda aprovação
• Previsão de lançamento: até 29 de agosto de 2026
• Wi-Fi: Wi-Fi 6 de duas bandas
• Conectividade adicional: Bluetooth Low Energy e Zigbee
• Processador: Qualcomm IPQ5018
Do Projeto Kuiper ao Amazon Leo
O serviço de internet via satélite da Amazon passou por uma mudança importante de identidade. Em novembro de 2025, o antigo Projeto Kuiper passou a se chamar Amazon Leo.
O nome faz referência à órbita terrestre baixa, conhecida pela sigla LEO, de Low Earth Orbit. Essa é a mesma região orbital utilizada por outras grandes constelações de internet via satélite.
A mudança de nome acompanha a expansão da infraestrutura da Amazon. A empresa já colocou 396 satélites em órbita, depois do lançamento de 29 unidades em julho de 2026 a bordo de um foguete Atlas V, da United Launch Alliance.
A constelação ainda está muito distante da escala da Starlink, que possui cerca de 10.400 satélites em órbita. Mesmo assim, o crescimento do Amazon Leo mostra que a Amazon está acelerando sua estratégia para disputar espaço em um mercado atualmente dominado pela empresa de Elon Musk.
Quem vai vender o Amazon Leo no Brasil?
A comercialização do Amazon Leo no Brasil ficará sob responsabilidade da Sky. A parceria entre as empresas foi estabelecida em 2024 e posteriormente ampliada para atender também o mercado corporativo.
A estratégia permite que a Amazon utilize uma rede de distribuição já estabelecida no país, enquanto a Sky adiciona uma nova alternativa de conectividade ao seu portfólio.
A oferta inicial deve começar pela região Sul do Brasil, onde a constelação possui maior concentração de satélites e melhores condições para iniciar a operação.
Para consumidores e empresas, a chegada do Amazon Leo pode aumentar a concorrência no mercado brasileiro de internet via satélite. Em mercados com poucas opções de conectividade, a entrada de um novo operador também pode pressionar preços e estimular novos planos e serviços.
Como funciona a disputa pela internet via satélite no Brasil
O mercado brasileiro de internet via satélite ainda é liderado pela Starlink, da SpaceX. A empresa possui a maior presença entre os serviços de banda larga via satélite disponíveis no país e já ocupa uma posição relevante no mercado de banda larga fixa.
A Eutelsat OneWeb também atua no segmento, principalmente com foco corporativo. Outra concorrente que está avançando é a chinesa SpaceSail, que recebeu autorização da Anatel e possui prazo para iniciar suas operações no Brasil até 2028.
Nesse cenário, o Amazon Leo chega com uma estratégia diferente da simples oferta de banda larga. A Amazon está construindo uma infraestrutura que poderá atender consumidores, empresas e outros serviços de conectividade baseados em satélites de baixa órbita.
Amazon Leo x principais concorrentes
Concorrente | Número aproximado de satélites | Foco no Brasil |
|---|---|---|
Starlink (SpaceX) | ~10.400 | Residencial e corporativo |
Amazon Leo | 396 | Residencial e corporativo, via Sky |
Eutelsat OneWeb | ~600 | Principalmente corporativo |
SpaceSail | Em expansão | Operação prevista no Brasil |
Arraste para o lado para ver toda a tabela.
Amazon também mira conectividade direta com celulares
A estratégia da Amazon no setor espacial vai além da internet residencial. A companhia também comprou a Globalstar por US$ 11,5 bilhões, em um movimento que amplia seu acesso a espectro e direitos de uso relacionados à conectividade via satélite.
Esse tipo de infraestrutura pode ser utilizado para serviços de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis, criando novas possibilidades para regiões sem cobertura tradicional de redes terrestres.
A combinação entre uma grande constelação de satélites, infraestrutura de conectividade e acordos comerciais pode transformar o Amazon Leo em uma plataforma mais ampla do que um simples concorrente da Starlink.
Amazon Leo x Starlink: o que muda para o consumidor brasileiro?
A chegada do Amazon Leo adiciona um novo concorrente ao mercado brasileiro de internet via satélite. Hoje, a Starlink possui uma vantagem significativa em quantidade de satélites e base instalada, enquanto a Amazon ainda está construindo sua constelação.
Por outro lado, a entrada da Amazon pode acelerar a competição em regiões onde a banda larga tradicional apresenta limitações.
Para o consumidor, os fatores mais importantes serão:
• Preço dos planos
• Velocidade de conexão
• Latência
• Franquia ou política de uso
• Disponibilidade regional
• Custo do equipamento
• Qualidade do suporte
Ainda é cedo para determinar como os planos do Amazon Leo irão competir diretamente com os oferecidos pela Starlink no Brasil. A comparação ficará mais clara quando a Amazon e a Sky divulgarem oficialmente preços, velocidades e condições comerciais.
O que falta para o Amazon Leo começar a operar no Brasil?
O principal ponto pendente é a homologação da antena ODU. Embora o roteador L1LA10 já tenha recebido a certificação da Anatel, o conjunto necessário para a comunicação com os satélites ainda não está completamente aprovado.
Se as etapas regulatórias forem concluídas dentro do cronograma, o Amazon Leo poderá iniciar sua operação comercial no Brasil até 29 de agosto de 2026.
A chegada do serviço marca uma nova etapa na disputa pela conectividade via satélite no país. A Starlink continuará tendo uma vantagem importante em escala, mas a Amazon possui capacidade financeira e infraestrutura tecnológica para acelerar rapidamente a expansão de sua constelação.
Para o mercado brasileiro, a consequência mais importante pode ser justamente o aumento da concorrência. Em regiões rurais, áreas remotas e locais onde a infraestrutura de fibra óptica ainda é limitada, mais uma alternativa de internet via satélite pode representar maior disponibilidade de conexão e, dependendo dos preços, novas possibilidades para consumidores e empresas.
Em resumo
O Amazon Leo ainda depende da homologação de sua antena para completar as etapas regulatórias no Brasil, mas a aprovação do roteador L1LA10 mostra que o lançamento está avançando.
Com 396 satélites em órbita, parceria comercial com a Sky e uma estratégia que vai além da banda larga residencial, a Amazon começa a construir uma posição no mercado brasileiro.
A grande questão agora é saber quanto o serviço vai custar, quais velocidades serão oferecidas e quando a antena será homologada. Essas informações serão decisivas para determinar se o Amazon Leo conseguirá desafiar a liderança da Starlink no Brasil.