Anatel utiliza IA para fiscalizar 100 mil reclamações mensais de telecom

O projeto Aval-IA automatiza a auditoria de respostas das operadoras, utilizando 90 modelos de Machine Learning para garantir atendimento resolutivo.

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A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) está escalando o uso de inteligência artificial para fiscalizar a qualidade do atendimento ao consumidor no setor de telecomunicações brasileiro.

Por meio do projeto Aval-IA, a agência reguladora pretende automatizar a análise das cerca de 100 mil reclamações mensais recebidas, garantindo que as respostas enviadas pelas empresas não sejam apenas protocolares, mas efetivamente esclarecedoras e resolutivas.

Apresentado durante o Abrint Global Congress (AGC) 2026, em São Paulo, o projeto representa um salto na maturidade regulatória do país.

Segundo os especialistas da agência, Alda Márcia Rodrigues e Paulo Roberto Tobias, o objetivo central é reduzir a assimetria de informação entre prestadoras e usuários, elevando o padrão de qualidade das interações no setor.

A evolução do projeto Aval-IA

Atualmente, o sistema opera em um modelo amostral, mas já apresenta números significativos para a governança do setor.

O foco da Superintendência de Relações com Consumidores (SRC) é atingir a cobertura total dos protocolos registrados na agência nos próximos meses.

Indicador de Escopo

Fase Atual (Amostral)

Meta de Expansão (Totalidade)

Volume de reclamações analisadas

3.500 por mês

100.000 por mês

Prestadoras monitoradas

13 empresas (grandes e pequenas)

Todas as operadoras reguladas

Representatividade do mercado

60% das reclamações totais

100% das reclamações totais

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

A iniciativa não foca apenas na quantidade, mas no Índice de Qualidade Informacional (IQI).

Como explicou Alda Márcia Rodrigues, a qualidade de uma resposta é medida pelo quanto ela respeita e resolve o problema do consumidor, e não apenas pela existência de um retorno formal no sistema.

Arquitetura técnica: IA baseada em Random Forest

Para profissionais de TI e engenheiros de dados, o diferencial do Aval-IA reside em sua infraestrutura robusta.

O sistema não utiliza apenas uma IA genérica, mas uma combinação de cerca de 90 modelos de aprendizado de máquina organizados em uma arquitetura de Random Forest (Floresta Aleatória).

  • Precisão e Robustez: A técnica de Random Forest utiliza múltiplas árvores de decisão para reduzir o risco de erros e aumentar a confiabilidade das classificações.

  • Treinamento Especializado: Os modelos foram treinados com base em avaliações prévias da equipe técnica da Anatel, replicando o rigor humano em escala industrial.

  • Classificação Multitemática: O sistema identifica automaticamente o tema da reclamação e verifica se os indicadores informacionais específicos para aquele problema foram atendidos.

Essa abordagem multidisciplinar permite que a agência gere evidências estatísticas sólidas para fundamentar processos administrativos e sanções, caso as operadoras falhem recorrentemente na resolução de problemas críticos.

Reconhecimento Internacional e Transparência

O sucesso do modelo brasileiro já ultrapassou fronteiras. Agências reguladoras do Peru, República Dominicana e Colômbia demonstraram interesse em adotar a metodologia desenvolvida pela Anatel.

Além disso, o projeto foi premiado pelo Regulatel (Foro Latino-americano de Entes Reguladores de Telecomunicações) na categoria de Boas Práticas Regulatórias.

A Anatel reforça que a metodologia do Aval-IA é pública. A agência tem promovido a capacitação de representantes da sociedade e das próprias prestadoras para que todos compreendam os critérios de avaliação.

O papel da Abrint (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações) é destacado nesse ecossistema, especialmente na interiorização da infraestrutura e na manutenção da concorrência na chamada última milha.

Com a implementação completa do Aval-IA, o mercado de TI e telecomunicações brasileiro deve observar uma pressão maior por investimentos em CX (Customer Experience) e sistemas de CRM mais integrados, forçando as operadoras a evoluírem suas próprias camadas de automação para atender às exigências da agência reguladora.

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