Spacex: starship coloca 26 satélites starlink v3 em órbita e encurta voo 14 após anomalia nos motores

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Spacex: starship coloca 26 satélites starlink v3 em órbita e encurta voo 14 após anomalia nos motores

A SpaceX lançou o voo 14 da Starship a partir da Starbase, no Texas, e colocou em órbita 26 satélites Starlink V3, mas uma anomalia nos motores obrigou à reentrada antecipada após três horas em órbita, em vez das dez previstas.

A Starship, o maior foguetão já construído, tentou atingir pela primeira vez a órbita da Terra em catorze voos de teste, colocou 26 satélites Starlink V3 no espaço, mas teve a missão encurtada de dez para três horas após uma anomalia nos motores, segundo a SpaceX.

O que aconteceu no voo 14 da starship

O voo 14 da SpaceX partiu da Starbase, no Texas, às 13h48 (hora de Lisboa), dentro de uma janela de lançamento aberta entre as 13h15 e as 14h30. A missão previa uma duração de dez horas, altitude de aproximadamente 275 quilómetros e tempo suficiente para dar seis voltas ao planeta, perfil inédito no programa.

Até agora, a Starship limitou-se a voos suborbitais de cerca de uma hora, terminando sempre com a nave a mergulhar no oceano. Desta vez, o objetivo era manter a nave no espaço durante quase dez horas e testar o que só se consegue testar em órbita.

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Um dos motores Raptor falhou ao longo do percurso, o que gerou dúvidas sobre a possibilidade de levar a nave até à órbita. Foi preciso aguardar até ao minuto 23 após o lançamento para que a equipa autorizasse a continuação da missão; se tivesse sido cancelada, os satélites Starlink V3 não poderiam ser lançados.

Uma hora e quatro minutos depois do lançamento, a equipa da SpaceX confirmou ter estabelecido contacto com os 26 satélites colocados em órbita. O primeiro ponto de verificação, cerca de 1 hora e 25 minutos depois do lançamento, antecedeu a confirmação de que a missão seria encurtada.

A equipa de voo confirmou que a Starship faria a reentrada depois de três horas em órbita, mergulhando no Pacífico Norte em vez da zona a oeste do Chile prevista no plano original. "Demorou algum tempo adicional e algum drama", admitiu Daniel Huot, responsável de comunicação da SpaceX, durante a transmissão.

Por que este voo é diferente dos anteriores

O voo 14 é a primeira tentativa da Starship de atingir a órbita terrestre e a primeira missão com carga operacional da própria SpaceX. O foguetão deixa de ser apenas um protótipo em testes e começa a comportar-se como um veículo transportador real, capaz de largar satélites e prolongar a permanência no espaço.

O voo 13, realizado em julho, já tinha largado com sucesso uma primeira leva de satélites Starlink V3, mas numa trajetória suborbital de cerca de uma hora. Os satélites desse voo, embora operacionais, desintegraram-se na reentrada cerca de 20 minutos após a implantação. A equipa conseguiu ainda captar dados da nave que ficou a flutuar no Oceano Índico, informação usada para melhorar o escudo térmico testado agora.

O perfil de voo incluía uma salvaguarda importante: a nave só acenderia os motores para entrar em órbita depois de a equipa de controlo confirmar redundância suficiente nos sistemas críticos para a manobra de saída de órbita. Sem essa garantia, a missão não avançaria para a fase orbital.

No plano original, um único motor Raptor seria ligado durante 11 segundos ao fim de oito horas e 52 minutos para colocar a nave em trajetória de reentrada, com amaragem no Pacífico a oeste do Chile e duração total de cerca de nove horas e 50 minutos. Nenhum dos dois estágios seria capturado pela torre: tanto a nave como o propulsor Super Heavy terminariam em amaragens no oceano.

Para o propulsor Super Heavy, o voo era também uma prova de fiabilidade. No voo 13, apenas cinco dos 13 motores acenderam na fase final, provocando um impacto mais violento do que o esperado; a SpaceX informou ter introduzido alterações de hardware e software para corrigir esses problemas.

Info: a reentrada da Starship no voo 14 terminou no Pacífico Norte, e não no Atlântico Norte como num cenário alternativo discutido durante a transmissão, segundo a cobertura original do TEK. Daniel Huot afirmou que a empresa seguia planos conservadores e que existia um plano B para a amaragem.

A carga da missão era composta por 26 satélites Starlink V3, a nova geração da constelação de internet por satélite da SpaceX. Segundo a empresa, os V3 não cabem no compartimento de carga do Falcon 9, o transportador habitual da rede até hoje: foram concebidos a pensar no espaço interior da Starship, que permite levar mais e maiores satélites de cada vez.

Elon Musk afirmou, em publicação citada na transmissão, que o satélite Starlink V3 é dez a vinte vezes mais capaz que o V2 e que só pode ser lançado pela Starship, por ser grande demais para qualquer outro foguetão em operação no mundo.

Os novos satélites estão projetados para uma velocidade de comunicação de downlink de 1 Tbps e uplink de 160 Gbps, uma melhoria aproximadamente dez vezes superior aos antecessores. As antenas de feixes suportam 2.048 feixes de comunicação bidirecional, contra 192 feixes de downlink e 144 feixes de uplink dos modelos anteriores, segundo dados comparados por Ashain Wijesingha na rede X.

Depois de largados pela nave, os satélites precisam de desdobrar as antenas e abrir os painéis solares, estabelecendo o primeiro contacto com as estações terrestres e com o resto da constelação através de ligações por rádio e por laser.

O escudo térmico e o que está em jogo para a NASA

A reentrada continua a ser um dos grandes desafios do programa Starship. A SpaceX quer, no futuro, que a nave regresse ao local de lançamento e seja capturada pela torre, o que exige conhecer com rigor o estado do escudo térmico depois de cada voo.

Neste voo, três dos 26 satélites foram modificados com câmaras para observar o escudo térmico da Starship e enviar as imagens aos operadores em Terra. A empresa testou ainda melhorias e experiências no escudo, algumas resultantes dos dados recolhidos na nave do voo 13.

O voo 14 tem uma leitura que vai além da Starlink. A Starship é o veículo que a NASA contratou, em 2021, para levar astronautas à superfície da Lua, e a primeira missão tripulada do programa Artemis está apontada para o início de 2028. Demonstrar que a nave consegue chegar à órbita, largar carga e sobreviver à reentrada com regularidade é um passo indispensável para esse calendário.

Na avaliação do Mercado de TI, o voo 14 representa um avanço duplo: prova a capacidade orbital da Starship com carga real ao mesmo tempo que expõe, com a anomalia nos motores Raptor e o regresso antecipado, a distância que ainda separa os testes da fiabilidade exigida para missões tripuladas.

A expansão da constelação também se conecta a movimentos regulatórios como a aprovação da tecnologia Direct-to-Device no Brasil, que aproxima a internet por satélite do celular comum.

Comparação entre os voos 13 e 14 da Starship, segundo dados da SpaceX
CritérioVoo 13 (julho)Voo 14
TrajetóriaSuborbital, cerca de 1 horaÓrbita da Terra a ~275 km (missão encurtada para 3 horas)
Carga20 satélites Starlink V326 satélites Starlink V3 operacionais
Destino dos satélitesDesintegraram-se na reentrada ~20 min após implantaçãoEm órbita, com contacto confirmado pela SpaceX
Motores no propulsorApenas 5 dos 13 acenderam na fase finalAnomalia nos Raptor; regresso antecipado decidido após verificação
Amaragem da naveOceano ÍndicoPacífico Norte (plano original previa oeste do Chile)

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Para o ecossistema brasileiro de conectividade por satélite, acompanhar a maturação dos V3 é relevante: a promessa de 1 Tbps de downlink por satélite, se confirmada em operação, aumenta a capacidade da rede sobre regiões remotas do país onde a fibra ainda não chega. O próximo marco a observar é a repetição do perfil orbital completo de dez horas, que este voo não conseguiu cumprir.

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· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

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