Phia: startup da filha de Bill Gates é acusada de fraudar comissões com cookie stuffing

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Phia: startup da filha de Bill Gates é acusada de fraudar comissões com cookie stuffing

Phoebe Gates, cofundadora da Phia, está no centro de acusações de uso de cookie stuffing para inflar comissões de afiliados. A prática teria representado 51% das vendas creditadas à empresa em junho de 2026, segundo a Bloomberg.

Phoebe Gates, filha do bilionário Bill Gates, está no centro de uma controvérsia envolvendo a Phia, startup de compras com IA que ela cofundou em 2025. A empresa teria usado cookie stuffing para reivindicar comissões de afiliados sobre vendas que não ajudou a gerar.

  • Cookie stuffing é fraude em marketing de afiliados que atribui comissões indevidas.

  • A Phia teria usado a prática com 51% das vendas mal atribuídas em junho de 2026.

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  • Mensagens do Slack indicam que as fundadoras sabiam do esquema desde dezembro de 2025.

  • A Impact.com suspendeu a Phia, que afirma ter removido os recursos e emitido estornos.

  • O caso pode se enquadrar em fraude eletrônica federal nos EUA, com pena de até 20 anos.

A Phia funciona como uma assistente pessoal de compras: por meio de uma extensão instalada no navegador, compatível com Chrome e Safari, o aplicativo ajuda usuários a encontrar cupons e códigos de desconto antes de finalizar uma compra online. Em troca, a empresa recebe uma comissão do varejista sempre que ajuda a concretizar a venda.

Cookie stuffing é um tipo de fraude em marketing de afiliados que consiste em inserir, de forma não autorizada, cookies de rastreamento em sites de compras, mesmo sem qualquer ação real do consumidor que justifique essa atribuição. Na prática, isso permite que uma empresa reivindique comissão sobre vendas que não ajudou de fato a gerar.

Mas como isso funciona em termos técnicos? Cookies são pequenos arquivos de rastreamento armazenados no navegador do usuário. No marketing de afiliados, quando você clica num link de parceiro e finaliza uma compra, o cookie registra que aquela venda deve ser atribuída a quem te levou até a loja. O cookie stuffing injeta esses cookies sem que o usuário tenha clicado em nada, capturando comissões de forma ilegítima.

O caso específico da Phia

Segundo a Bloomberg, a extensão da Phia adicionava automaticamente códigos de rastreamento às compras dos usuários, um esquema que permitia à empresa embolsar comissões sobre pedidos que não ajudou de forma significativa a concretizar. Essas vendas mal atribuídas chegaram a representar cerca de 51% de todas as vendas creditadas à Phia em junho de 2026, segundo a Bloomberg.

De acordo com mensagens internas do Slack da empresa obtidas pela Bloomberg, Phoebe Gates e a cofundadora Sophia Kianni já sabiam da prática desde dezembro de 2025. As mensagens mostram Gates perguntando se um recurso que inseria cookies de rastreamento automaticamente estava ativo em todos os varejistas, e Kianni incentivando funcionários a manter os cookies ativos mesmo depois de um engenheiro apontar que a prática violava regras de compliance.

Esse cronograma contradiz uma declaração anterior das próprias fundadoras à Bloomberg, em 8 de julho, de que só haviam tomado conhecimento da situação nas últimas 24 horas, atribuindo o problema a uma falha de software.

Consequências e resposta da empresa

A Impact.com, rede de afiliados responsável por distribuir comissões a publishers como a Phia, suspendeu a startup de seu marketplace após a reportagem inicial sobre a prática. Segundo a Phia, os recursos ligados ao esquema foram removidos em 7 de julho.

Em comunicado, a empresa afirmou que quaisquer recursos que causassem atribuições incorretas foram imediatamente removidos, que está revisando cada transação, emitindo estornos para marcas parceiras e contratando um head de compliance.

Até o momento, Phoebe Gates não foi indiciada criminalmente, e a reportagem da Bloomberg não afirma que ela tenha determinado pessoalmente a adoção da prática.

Quem é a phia e por que o caso importa para o mercado de tecnologia

Lançada em abril de 2025, a Phia se posicionava como uma proposta para redefinir as compras online. A startup levantou US$ 30 milhões em uma rodada de dezembro daquele ano, que a avaliou em US$ 180 milhões, alta em relação aos US$ 8 milhões captados inicialmente. Entre os investidores da rodada não está o próprio Bill Gates, cofundador da Microsoft e pai de Phoebe.

O caso da Phia levanta questões sobre governança e compliance em startups de rápido crescimento, especialmente aquelas que utilizam inteligência artificial e extensões de navegador como parte central do modelo de negócio.

Resumo do caso Phia
AspectoDetalhe
StartupPhia
FundadorasPhoebe Gates e Sophia Kianni
Tipo de fraudeCookie stuffing
Percentual de vendas mal atribuídas51% em junho de 2026
Avaliação da empresaUS$ 180 milhões
Investimento totalUS$ 30 milhões
Rede de afiliadosImpact.com

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Para profissionais de tecnologia e marketing digital no Brasil, o episódio serve como alerta: a implementação de extensões de navegador que lidam com cookies e atribuição exige controles de compliance rigorosos.

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Fonte: Exame Tecnologia

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