A Noctua e a Forced Physics DCT anunciaram uma parceria de pesquisa para adaptar a tecnologia JouleForce, um sistema de arrefecimento a ar por microcanais, a computadores desktop e workstations. A tecnologia, hoje aplicada em centros de dados e capaz de dissipar entre 1.000 e 2.000 W segundo a desenvolvedora, esbarra num obstáculo central: a pressão de ar necessária para funcionar é incompatível com os níveis de ruído aceitáveis num PC.
A fabricante austríaca Noctua, conhecida pelos dissipadores e ventoinhas silenciosas, deixa claro que se trata de um esforço de pesquisa e desenvolvimento de longo prazo, sem vínculo com qualquer produto ou data de lançamento. Não há protótipo, processador-alvo, preço ou calendário definidos.
O que é a tecnologia jouleforce e como ela funciona?
A JouleForce é apresentada pela Forced Physics como uma "terceira via" entre o arrefecimento a ar tradicional e os circuitos líquidos. Em vez de lâminas grandes, o sistema usa matrizes de canais minúsculos por onde o ar é forçado a passar.
Segundo a empresa norte-americana, a geometria dos canais impede a formação completa da camada-limite térmica que limita os dissipadores convencionais. Isso permite extrair calor ao longo de todo o comprimento de cada canal, sem bombas, tubagens ou líquido de arrefecimento.
A origem da tecnologia está no trabalho do fundador Scott Davis em teoria cinética. As primeiras provas de conceito foram incubadas no laboratório de pesquisa do Exército dos EUA e numa infraestrutura de microfabricação apoiada pela DARPA, agência de projetos de pesquisa avançada do Departamento de Defesa norte-americano.
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Hoje, a JouleForce é desenvolvida sobretudo para inteligência artificial e computação de alta densidade. A tecnologia já é aplicada em sistemas com socket SP5 dos processadores AMD Epyc, voltados a servidores.
Info: o número de 1.000 a 2.000 W de dissipação divulgado pela Forced Physics refere-se a aplicações em centros de dados, não a um resultado obtido num PC de mesa.
Por que a pressão de ar é o principal obstáculo?
Os microcanais oferecem tanta resistência ao ar que a queda de pressão é uma ordem de grandeza, ou mais, superior à que as ventoinhas axiais de PC conseguem vencer. Por isso, as implementações atuais da JouleForce recorrem a sopradores industriais, ventoinhas centrífugas de alta velocidade ou até bombas de vácuo.
As soluções habituais para gerar mais pressão, como aumentar a rotação ou usar rotores de vários andares, são incompatíveis com o ruído aceitável num ambiente doméstico ou de escritório. É exatamente aí que entra a expertise da Noctua, referência em ventoinhas silenciosas de alta pressão estática.
Roland Mossig, CEO da Noctua, admite que a pressão exigida hoje é fornecida por equipamento que ninguém gostaria de ter ao lado da mesa de trabalho, e descreve o desafio como exigente e de longo prazo.
Mas o que cada empresa ganha com essa parceria? Para Scott Davis, CEO da Forced Physics, os desafios de fluxo de ar em desktops e workstations são muito diferentes dos enfrentados nos centros de dados, o que tornou a aliança com a Noctua uma escolha óbvia, dada a experiência da austríaca em soluções de arrefecimento a ar silenciosas e de alta pressão.
Atenção: não existe protótipo, preço ou previsão de lançamento. As empresas prometem novidades apenas quando marcos relevantes da pesquisa forem atingidos.
O que isso significa para o mercado de hardware?
Na avaliação do Mercado de TI, o movimento indica que o arrefecimento a ar pode ter um novo capítulo diante do avanço de processadores cada vez mais quentes, cenário em que os sistemas líquidos passaram a dominar o segmento de alto desempenho.
Se a parceria conseguir reduzir a pressão necessária ou gerá-la dentro de limites acústicos aceitáveis, a JouleForce pode se tornar uma alternativa a ar aos circuitos de água para os processadores mais exigentes do futuro. Por enquanto, porém, tudo permanece no domínio da pesquisa.
Para profissionais que montam workstations de renderização, simulação ou inferência de IA local, a tendência merece acompanhamento: uma solução a ar sem bombas e sem líquido reduziria pontos de falha e manutenção em comparação com water coolers, algo relevante também para o mercado brasileiro, onde o custo de sistemas líquidos importados pesa no orçamento.
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Fonte: Sapo Tek