Os Meta VR Glasses são o novo headset de realidade virtual da Meta, revelado no Meta Connect com lançamento previsto para a primavera de 2027 nos Estados Unidos por US$ 1.299,99. O equipamento aposta num formato compacto de 100 gramas, com ecrã 5K micro-OLED, assistente Meta AI e videochamadas com hologramas, num momento em que o mercado de headsets deve recuar 27% em 2026, segundo dados da IDC.
- Meta VR Glasses chegam aos EUA na primavera de 2027 por US$ 1.299,99, quatro vezes o preço do Quest de US$ 299.
- Equipamento pesa cerca de 100 gramas, com ecrã 5K Infinite Display micro-OLED de 37 píxeis por grau e lentes pancake.
- Vendas de headsets caíram 44% em 2025 e devem recuar 27% em 2026, segundo Francisco Jerónimo, da IDC.
- Plataforma Quest respondeu por 93% a 99% das unidades vendidas desde 2024; Vision Pro nunca passou de 7%.
- Óculos inteligentes devem crescer 35% em 2026, para 13 milhões de unidades, e chegar a 25 milhões em 2030.
O que a Meta apresentou no connect
Depois dos rumores em torno do Project Phoenix, a tecnológica de Mark Zuckerberg revelou no Meta Connect os VR Glasses, um headset de realidade virtual em formato de óculos convencionais. A proposta combina ecrãs, sensores e funcionalidades de um headset tradicional num corpo mais leve e compacto, que chega aos Estados Unidos na primavera do próximo ano por US$ 1.299,99, conforme o anúncio oficial da Meta.
Com cerca de 100 gramas, o sistema divide-se entre os óculos, que integram sensores e ecrã, e uma unidade externa ligada por cabo, equipada com processador, bateria e armazenamento. Essa unidade pode ser transportada no bolso ou numa mala de mão, o que reduz significativamente o peso sobre a cabeça em comparação com headsets como o Meta Quest 3.
O anúncio confirma rumores que já circulavam sobre o projeto. O Mercado de TI já havia noticiado as imagens vazadas do headset Project Phoenix, que apontavam justamente para o design em formato de óculos com controle por gestos, agora oficializado pela empresa.
Especificações: ecrã 5k, snapdragon e hologramas
Os Meta VR Glasses trazem um ecrã 5K Infinite Display baseado em painéis micro-OLED, com densidade de 37 píxeis por grau, além de lentes pancake ultracompactas. Há suporte a Dolby Vision na imagem e Dolby Atmos no áudio espacial, e o processamento fica por conta do chip Snapdragon Reality Elite da Qualcomm.
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O sistema operativo integra o assistente Meta AI, acionado por comandos de voz, movimentos dos olhos e gestos para abrir apps, iniciar a reprodução de conteúdo, ajustar o espaço de trabalho virtual ou fazer pesquisas. Segundo a empresa, os óculos transformam qualquer superfície plana em teclado e touchpad, com câmaras de passthrough que permitem ver a secretária e objetos ao redor.
Mas como funcionam as videochamadas? A Meta detalha um sistema com hologramas que cria uma representação digital do utilizador, reproduzindo expressões e reações em tempo real. Durante a chamada, o holograma da outra pessoa aparece no espaço ao redor, com áudio espacial, e a funcionalidade será compatível com aplicações como WhatsApp e Zoom.
A bateria suporta carregamento rápido de 45 W e promete até três horas de reprodução contínua de conteúdos em alta resolução. Na avaliação do Mercado de TI, as três horas de autonomia são um trade-off direto do formato de 100 gramas: ao deslocar processador e bateria para a unidade externa, a empresa ganhou ergonomia, mas manteve dependência do cabo.
Entretenimento: imax enhanced, disney+ e 3d
No entretenimento, os VR Glasses são o primeiro equipamento de realidade virtual da Meta com certificação IMAX Enhanced. A empresa prevê disponibilizar filmes em 3D via Disney+, numa primeira fase em apenas alguns mercados, e negocia com outros serviços de streaming, do Prime Video ao HBO Max, para disponibilizar os seus catálogos de conteúdos 3D.
A oferta deve incluir ainda experiências desportivas imersivas e acesso a videojogos, com suporte ao Xbox Cloud Gaming. A aposta em conteúdo é central para justificar o preço bem acima dos US$ 299 do Quest, uma inversão deliberada da estratégia das três gerações anteriores, centradas na redução de preços.
Para já, a Meta não detalhou a chegada a outros mercados além dos Estados Unidos. O histórico de lançamentos da empresa sugere expansão gradual, mas sem confirmação oficial, consumidores de outras regiões ficam dependentes de importação.
O mercado em queda que pressiona a Meta
A estratégia surge num momento desfavorável. Francisco Jerónimo, vice-presidente para a EMEA na área de Devices (Data & Analytics) da IDC, partilhou em comentário enviado ao TEK Notícias que as vendas de headsets atingiram o pico em 2024 e caíram 44% em 2025, com previsão de novo recuo de 27% em 2026.
A IDC espera que o mercado volte a crescer em 2027, com aumento previsto de 41% face ao ano anterior, e a Meta posiciona os VR Glasses como um dos produtos que pode contribuir para essa recuperação, indica Jerónimo. O lançamento na primavera de 2027 alinha-se diretamente a essa janela de retomada.
A urgência da empresa tem explicação nos números de quota. Headsets baseados na plataforma Quest representaram entre 93% e 99% das unidades vendidas todos os anos desde 2024, enquanto o Vision Pro da Apple nunca ultrapassou os 7%. Para o analista, o desafio da Meta não é conquistar utilizadores à Apple, mas evitar que os consumidores percam o interesse nos headsets.
Óculos inteligentes: onde está a verdadeira oportunidade
Se a Meta está a jogar na defensiva com os VR Glasses, a maior oportunidade estaria noutro segmento. Segundo Francisco Jerónimo, os óculos inteligentes devem crescer 35% em 2026, para cerca de 13 milhões de unidades, e quase duplicar até 2030, atingindo 25 milhões de equipamentos vendidos.
A diferença está no modo de utilização. Óculos de realidade virtual exigem que o utilizador decida colocá-los para uma tarefa específica, enquanto óculos com assistente de IA ficam sempre disponíveis: indicam direções, criam lembretes ou traduzem conversas sem tirar o smartphone do bolso. Essa integração da IA no quotidiano pode transformar o dispositivo de gadget em equipamento de uso regular.
No Connect 2026, a Meta renovou a gama com os primeiros Ray-Ban Meta sem câmara, novas funcionalidades no Ray-Ban Meta Display e expansão a mais mercados, incluindo Portugal, com 100 modelos previstos das várias gamas até ao final do ano. O movimento confirma a estratégia já antecipada no artigo do Mercado de TI sobre os quatro óculos inteligentes da Meta, incluindo o RW7004 sem câmara, focado na privacidade.
Para os profissionais de tecnologia brasileiros, o movimento indica um deslocamento de investimento e de vagas do hardware de VR imersivo para wearables de uso contínuo com IA no edge. Quem acompanha as oportunidades de desenvolvimento e dados no mercado deve observar o crescimento da procura por perfis em realidade estendida e integração de assistentes de IA.
| Equipamento | Preço (US$) | Formato | Peso | Lançamento |
|---|---|---|---|---|
| Meta VR Glasses | 1.299,99 | Óculos + unidade externa com cabo | 100 gramas | Primavera de 2027 (EUA) |
| Meta Quest | Headset autónomo | Não informado | Disponível | |
| Apple Vision Pro | (preço de referência de mercado) | Headset autónomo | Não informado | Disponível |
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O lançamento dos VR Glasses na primavera de 2027 vai testar se o mercado de headsets ainda tem fôlego depois de dois anos de queda. Com quota esmagadora e um rival distante, a Meta joga contra o desinteresse do consumidor, e não contra a Apple, enquanto a aposta de longo prazo parece mesmo estar nos óculos inteligentes que vivem no rosto o dia inteiro.
Fonte: Sapo Tek