A Huawei reportou queda de 36% no lucro líquido do primeiro semestre de 2026, para 23,81 bilhões de yuans, cerca de US$ 3,54 bilhões. A receita cresceu 10% no período, para 468 bilhões de yuans, revelando uma empresa que fatura mais, mas gasta ainda mais rápido para sustentar sua aposta em autossuficiência em semicondutores.
Lucro líquido da Huawei caiu 36% no 1º semestre de 2026, para US$ 3,54 bilhões, apesar do crescimento de 10% na receita.
Investimento em pesquisa somou 121 bilhões de yuans e fluxo de caixa ficou negativo em 39,9 bilhões de yuans.
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A tecnologia LogicFolding busca competir com processos da TSMC sem depender de máquinas ASML, bloqueadas para a China.
Meta é alcançar desempenho equivalente a 1,4 nanômetro até 2031, três anos depois da projeção da TSMC.
Huawei lidera o mercado de smartphones na China com fatia superior a 20% após alta de 19% nas vendas no período promocional.
Por que o lucro caiu mesmo com receita em alta
A compressão de margem tem duas frentes. A primeira atinge o setor de tecnologia inteiro: a escalada nos preços de memória, turbinada pela demanda de infraestrutura de inteligência artificial, encareceu componentes para qualquer fabricante de eletrônicos. A Huawei optou por não repassar boa parte desse custo ao consumidor, mesmo com os preços de chips de memória disparando.
A segunda frente é estratégica. A empresa elevou o investimento em pesquisa para 121 bilhões de yuans no semestre e fez uma corrida por estoque de matéria-prima para se proteger de novas altas. O resultado foi um fluxo de caixa negativo de 39,9 bilhões de yuans.
Mas como a Huawei consegue sustentar esse ritmo de gastos? A resposta está na prioridade estratégica que a empresa assumiu no mercado chinês. Sacrificar margem no curto prazo é parte de uma aposta maior em independência tecnológica.
Logicfolding: a resposta técnica às sanções
A Huawei é hoje a ponta de lança da estratégia chinesa de reduzir a dependência de chips estrangeiros para inteligência artificial, tentando ocupar o espaço que a ausência da Nvidia no mercado chinês deixou livre. Em maio, a companhia revelou um caminho técnico para tentar superar as sanções lideradas pelos Estados Unidos.
Segundo He Tingbo, chefe de semicondutores da empresa, a Huawei acredita que pode eventualmente produzir chips de alto desempenho equivalentes aos processos mais avançados da TSMC usando a chamada tecnologia LogicFolding. Trata-se de uma arquitetura que ganha desempenho ao dobrar circuitos internos e encurtar o caminho dos sinais, sem depender das máquinas de litografia ultravioleta extrema da ASML.
Em setembro, a empresa deve apresentar seu novo smartphone de ponta equipado com um chip Kirin fabricado usando o método LogicFolding pela primeira vez. É um teste de conceito antes do salto mais ambicioso planejado para o início da próxima década.
Como a Huawei driblou a crise do consumo
Apesar da pressão nas margens, a estratégia de segurar preços rendeu resultado concreto no mercado doméstico. Segundo a Counterpoint, a Huawei registrou alta de 19% nas vendas de smartphones durante a campanha promocional de meio de ano na China, entre maio e junho.
Foi a única grande fabricante a crescer nesse período, num momento em que a demanda por eletrônicos de consumo esfria e pesa sobre rivais como Apple e Xiaomi. Com isso, a Huawei se tornou a marca líder de smartphones na China, com fatia de mercado superior a 20% após o período promocional conhecido como 618.
O resultado ajuda a explicar por que a empresa aceita sacrificar margem no curto prazo. Recuperar espaço de mercado e, ao mesmo tempo, financiar a corrida por chips próprios são, hoje, as duas faces da mesma aposta.
O cenário para os próximos anos
O balanço do primeiro semestre mostra uma empresa disposta a pagar caro pela independência tecnológica. O investimento em pesquisa de 121 bilhões de yuans, combinado com o fluxo de caixa negativo, sinaliza que a Huawei não trata a pressão de margem como um problema conjuntural, mas como custo de uma transição estrutural.
| Indicador | 1º semestre 2026 | Variação |
|---|---|---|
| Receita | 468 bilhões de yuans | +10% |
| Lucro líquido | 23,81 bilhões de yuans (US$ 3,54 bilhões) | -36% |
| Investimento em pesquisa | 121 bilhões de yuans | alta estratégica |
| Fluxo de caixa | negativo em 39,9 bilhões de yuans | pressão por estoques |
| Vendas de smartphones (China, maio-junho) | +19% | única grande fabricante a crescer |
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O teste de setembro será o primeiro indicador concreto dessa estratégia. Se o chip Kirin com LogicFolding entregar o desempenho prometido no smartphone de ponta, a Huawei valida internamente a arquitetura antes do salto para o processo de 1,4 nanômetro previsto para 2031.
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Fonte: Exame Tecnologia