O que os números mostram
Mais de metade dos empregadores tecnológicos inquiridos, 53%, prevê aumentar as equipes entre outubro e dezembro, enquanto 30% espera manter o número de trabalhadores e 17% antecipa uma redução. O crescimento continua a ser o principal motivo para contratar, apontado por 45% dos empregadores. Seguem-se os projetos específicos e iniciativas temporárias, referidos por 41%. A criação de novas funções, os avanços tecnológicos que exigem novas competências, a evolução das necessidades dos serviços e o aparecimento de novas oportunidades de negócio são outros fatores, cada um mencionado por 18% das empresas.Info: o estudo da Experis recolheu respostas de 4.258 empregadores de Tecnologia e Serviços de TI em 42 países, com os dados do quarto trimestre recolhidos entre 1 e 31 de julho de 2026.
Automação e IA redesenham as equipes
Por trás dos números positivos está um mercado de trabalho em transformação. Entre as empresas que preveem diminuir o número de trabalhadores, 50% apontam a automatização e outros 50% a otimização de processos com consolidação de funções. O downsizing e as alterações nos serviços prestados, que modificam as competências necessárias, surgem depois, ambos com 38%. A situação ajuda a explicar uma aparente contradição: as empresas continuam a contratar, mas nem sempre para substituir diretamente os lugares que desaparecem. Estão à procura de perfis diferentes para acompanhar novos modelos de trabalho, projetos de transformação digital e a adoção de tecnologias como a inteligência artificial.A procura mantém-se particularmente forte por profissionais com competências especializadas, enquanto a automação e a otimização de processos alteram funções e estruturas dentro das empresas.
Dica: para o profissional brasileiro, o padrão observado em Portugal espelha o que já acontece em outros mercados europeus. No Reino Unido, por exemplo, a IA também está a redefinir o primeiro emprego e as funções de entrada. Quem investe em competências especializadas tende a sair beneficiado dessa reorganização.
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Comparação com o cenário global
A nível global, a tendência é semelhante. O setor de Tecnologia e Serviços de TI apresenta uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +37%, ligeiramente acima dos 36% registados em Portugal. Em todo o mundo, 51% dos empregadores planeiam aumentar as equipes, 34% deverão manter os níveis atuais e 14% antecipam reduções. Na avaliação do Mercado de TI, os dados reforçam um padrão que já vinha a ser desenhado por consultorias e analistas: a IA não elimina emprego tecnológico de forma agregada, mas muda o perfil das vagas. Projeções como a de que cada funcionário poderá gerenciar até 200 agentes de IA apontam na mesma direção: menos funções repetitivas, mais supervisão e especialização.Atenção: os números são projeções declaradas por empregadores, não contratações efetivas. O indicador mede intenção líquida (quem pretende contratar menos quem pretende reduzir) e pode divergir do resultado real do trimestre.
O que isso significa para quem trabalha com tecnologia
O dado prático para o profissional está na composição das motivações: crescimento e projetos temporários lideram a contratação, o que favorece perfis com disponibilidade para trabalho por projeto e competências ligadas a transformação digital e IA. Para quem busca reposicionamento, vale acompanhar as vagas abertas em desenvolvimento, DevOps e dados, áreas que concentram a procura por perfis especializados. O próximo passo para acompanhar a tendência é observar os dados do primeiro trimestre: se a projeção se mantiver acima de, o setor confirma um ciclo de recuperação sustentada; se cair, a reorganização impulsionada pela automação pode estar a pesar mais do que o crescimento.Fonte: Sapo Tek