Uma em cada três organizações sem fins lucrativos no Brasil já utiliza inteligência artificial generativa em seus processos, segundo a pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e conduzida pelo Cetic.br.
33% das ONGs brasileiras utilizam IA generativa, principalmente para geração de textos.
66% das organizações receberam doações via PIX em 2025.
A contratação de serviços de computação em nuvem dobrou: de 21% para 39%.
80% possuem perfis em redes sociais; Instagram/TikTok/Flickr lideram com 70%.
52% estão adequadas à LGPD, mas apenas 31% oferecem treinamento interno na área.
IA generativa ganha espaço no terceiro setor
A Inteligência Artificial generativa já é realidade em 33% das organizações sem fins lucrativos brasileiras. As aplicações mais comuns são a geração de textos (27%), criação de imagens ou vídeos (20%) e desenvolvimento de códigos de programação (10%). Os dados são da TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025, pesquisa que há mais de uma década monitora a digitalização do setor.
Geração de textos: 27%
Criação de imagens ou vídeos: 20%
Desenvolvimento de código: 10%
Adoção varia conforme a área de atuação
O percentual de utilização de IA generativa não é uniforme. Os segmentos com maior adesão são:
Religião: 45%
Educação e pesquisa: 42%
Saúde e assistência social: 31%
Cultura e recreação: 20%
Computação em nuvem e infraestrutura digital ampliam presença
Entre 2022 e 2025, as organizações sem fins lucrativos aumentaram significativamente a contratação de serviços de computação em nuvem. O armazenamento de arquivos ou bancos de dados na nuvem passou de 21% para 39%, o e-mail em nuvem subiu de 19% para 36% e o uso de software de escritório saltou de 11% para 32%.
Mais dispositivos e conectividade
A posse de celulares institucionais subiu de 35% para 52%, enquanto tablets pularam de 11% para 29%. O uso de celulares pessoais para o trabalho permanece elevado (67%). Quanto ao acesso à Internet, 90% das organizações estiveram online no último ano e 80% possuem redes Wi-Fi. A oferta de Wi-Fi gratuito ao público cresceu de 38% para 60%, com picos em instituições religiosas (75%) e de saúde (54%).
Doações via PIX se consolidam como principal canal digital
Em 2025, 66% das organizações receberam doações por meio do PIX, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central. O uso é ainda mais expressivo em entidades religiosas (91%), de saúde e assistência social (66%), habitação e meio ambiente (61%) e cultura (50%). A simplicidade e o baixo custo tornaram o PIX uma ferramenta vital para a sustentabilidade do terceiro setor.
Canais online de arrecadação
Além do PIX, 29% das ONGs captaram recursos via internet (sites, redes sociais, plataformas de financiamento coletivo). Nesse quesito, os destaques são as organizações de habitação e meio ambiente (42%), religião (41%) e saúde (31%).
Presença digital: redes sociais são vitais, mas website ainda importa
A pesquisa mostra que 80% das organizações têm perfil em ao menos uma rede social. As plataformas mais utilizadas são:
Instagram, TikTok ou Flickr: 70%
WhatsApp ou Telegram: 66%
Facebook: 65%
YouTube ou Vimeo: 45%
LinkedIn: 20%
Websites e adequação à LGPD
Embora apenas 46% das ONGs possuam website próprio, entre aquelas que o fazem, houve avanços significativos na transparência e proteção de dados. A divulgação online da política de privacidade saltou de 49% para 69%, a existência de canal de atendimento para titulares de dados foi de 48% para 68% e a política de segurança da informação subiu de 44% para 67%.
LGPD: avanços na governança de dados, mas capacitação é gargalo
A existência de uma área ou pessoa responsável pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) mais que duplicou: de 29% em 2022 para 52% em 2025. No entanto, a capacitação interna ainda é baixa:
Apenas 31% das organizações ofereceram treinamento sobre privacidade e proteção de dados.
Somente 18% custearam cursos externos para funcionários ou voluntários nos últimos 12 meses.
Esse descompasso entre a formalização de políticas e a efetiva formação das equipes representa um risco operacional e reputacional, especialmente diante de vazamentos ou incidentes de segurança.
O que esses dados significam para o mercado de TI brasileiro?
Os números da TIC 2025 escancaram oportunidades para profissionais e empresas de tecnologia. Há uma demanda crescente por soluções acessíveis de IA generativa, serviços de nuvem, ferramentas de automação de doações e consultorias em LGPD voltadas ao terceiro setor. Startups e desenvolvedores podem explorar nichos como chatbots para atendimento a beneficiários, plataformas de gestão de voluntários e sistemas de crowdfunding integrados ao PIX. O cenário é promissor para quem souber unir propósito social e inovação tecnológica.
| Serviço em nuvem | 2022 | 2025 |
|---|---|---|
| Armazenamento/Banco de dados | 21% | 39% |
| 19% | 36% | |
| Software de escritório | 11% | 32% |
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Perguntas Frequentes
Qual a porcentagem de ONGs brasileiras que usam IA generativa?
33% das organizações sem fins lucrativos do Brasil já utilizam ferramentas de IA generativa em seus processos de trabalho, de acordo com a pesquisa TIC 2025.
Quais os usos mais comuns da IA generativa no terceiro setor?
Geração de textos (27%), criação de imagens ou vídeos (20%) e desenvolvimento de código de programação (10%) são as principais aplicações.
O PIX é amplamente usado para doações em ONGs?
Sim. Em 2025, 66% das organizações receberam doações por meio do PIX, com destaque para as entidades religiosas (91%).
Como está a adequação das ONGs à LGPD?
52% já possuem área ou pessoa responsável pela LGPD, e entre as que têm website, 69% divulgam sua política de privacidade. Porém, apenas 31% oferecem treinamento interno sobre o tema.
Quais redes sociais as ONGs mais utilizam?
Instagram, TikTok ou Flickr lideram com 70% de presença, seguidos por WhatsApp/Telegram (66%) e Facebook (65%).