O ecossistema empreendedor brasileiro atingiu um novo patamar de relevância estratégica. Durante o Encontro Nacional de Conselheiros e Conselheiras do Sistema Sebrae (CDN), realizado em São Paulo, o foco central recaiu sobre a digitalização e a preparação dos pequenos negócios para um cenário econômico global em rápida mutação.
Com um recorde histórico de 5,1 milhões de novas empresas abertas em 2025, dos quais 96% são MEI ou micro e pequenas empresas, a necessidade de integração tecnológica e governança robusta tornou-se urgente para profissionais de tecnologia que atendem este mercado.
O presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, reforçou que a instituição está priorizando o crédito orientado e a qualificação digital como pilares para sustentar esse crescimento.
Para o setor de TI e empresas de inovação, o cenário abre uma avenida de oportunidades, já que a meta é elevar a competitividade dessas empresas para que acessem mercados externos, facilitadas pelo avanço de acordos comerciais como o Mercosul-União Europeia.
A reconfiguração da economia global e o papel da tecnologia
O economista Eduardo Gianetti trouxe um alerta importante para profissionais e líderes de tecnologia no Brasil: o fim do ciclo de hiperglobalização.
A fragmentação das cadeias produtivas globais, motivada pela busca por segurança em vez de apenas custo, coloca o Brasil em uma posição estratégica. Contudo, Gianetti aponta um gargalo claro: a baixíssima inserção exportadora das PMEs brasileiras, com apenas 12 mil empresas do segmento atuando no comércio internacional.
Para especialistas em TI, o dado é um chamado à ação para o desenvolvimento de soluções voltadas à:
Digitalização de processos: Automação para reduzir custos operacionais e aumentar a escala de PMEs.
Segurança cibernética: Proteção de dados necessária para compliance em exportações.
Ferramentas de gestão: Softwares que integrem microempresas aos fluxos logísticos globais.
Qualificação técnica: Adoção de IA e ferramentas de produtividade para superar o déficit educacional apontado pelo economista.
Governança e o risco das zonas cinzentas
O ministro do TCU, Bruno Dantas, trouxe uma perspectiva crucial para líderes de tecnologia e arquitetos de sistemas: a governança não deve ser apenas uma camada de software, mas uma cultura organizacional. Em um ambiente de pressão por resultados rápidos, as empresas que não investem em estruturas de decisão transparentes e auditáveis estão sujeitas a falhas sistêmicas.
A mensagem para o setor tech é direta: o desenvolvimento de sistemas para o mercado corporativo e de governo deve priorizar a integridade institucional e a automatização de normas, reduzindo a dependência da virtude individual dos gestores.
Governança, segundo o ministro, é o que garante que a norma seja respeitada mesmo quando ninguém está olhando, um conceito aplicável tanto na gestão de TI quanto no desenvolvimento de algoritmos de conformidade.
Principais insights do encontro
| Tópico | Impacto para TI e Negócios |
|---|---|
| Recorde de aberturas (5,1 mi) | Demanda crescente por SaaS de gestão e automação. |
| Fim da Hiperglobalização | Necessidade de tecnologia para segurança em cadeias produtivas. |
| Baixa exportação PME | Oportunidade para plataformas de e-commerce transfronteiriço. |
| Governança Institucional | Demanda por sistemas de compliance e auditoria. |
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O desafio para os próximos anos, conforme debatido pelos conselheiros, não é apenas abrir empresas, mas consolidá-las.
A tecnologia terá um papel central na transição de negócios informais ou básicos para empreendimentos digitais de alta performance, capazes de navegar com segurança em um cenário global complexo e tecnologicamente exigente.