Levantamento ey: 87% das empresas já testam software interno gerado por IA, e o SaaS sente a pressão

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Levantamento ey: 87% das empresas já testam software interno gerado por IA, e o SaaS sente a pressão

Pesquisa da EY aponta que 87% das organizações que investem em IA já implantaram ou pilotam software próprio gerado por IA. Eyal Benishti, CEO da IRONSCALES, explica por que cibersegurança é o segmento menos exposto a essa mudança.

Uma pesquisa recente da EY revelou que 87% dos líderes seniores de organizações que investem em inteligência artificial já implantaram ou estão pilotando programas para desenvolver software gerado por IA internamente, enquanto 82% esperam que o modelo tradicional de cobrança por assento do SaaS perca relevância em seus setores nos próximos cinco anos.

O diagnóstico de que nem todo segmento será afetado igual vem de Eyal Benishti, fundador e CEO da IRONSCALES, em artigo publicado no Forbes Technology Council: cibersegurança, argumenta ele, é a exceção estrutural a essa tendência.

O que aconteceu: a barreira entre construir e comprar está caindo

A decisão clássica de tecnologia corporativa era simples: por que construir software se existe serviço pronto para comprar? Segundo Eyal Benishti, fundador e CEO da IRONSCALES, a ascensão do desenvolvimento assistido por IA e do chamado vibe coding tornou muito mais fácil transformar ideias em software funcional, inclusive para pessoas sem formação técnica.

Os números da recente pesquisa da EY sustentam a percepção: 87% dos líderes sêniores ouvidos já adotaram ou pilotam desenvolvimento interno de software construído com IA, e 82% projetam que o pricing por assento do SaaS tradicional vai perder relevância até o fim da década.

Isso não significa o fim do SaaS. Significa que, quando uma organização consegue criar uma aplicação sob medida de forma rápida e barata, partes do mercado de assinaturas inevitavelmente enfrentam pressão. Mas por que a cibersegurança escaparia dessa lógica?

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Gerar software é uma coisa; gerar segurança é outra

A maioria do software existe para executar uma tarefa bem definida: gerenciar projeto, criar relatório de despesas, montar dashboard, agendar compromisso. Conhecido o resultado desejado, o desafio é de execução, e ferramentas de codificação por IA facilitam exatamente essa parte.

A cibersegurança opera de modo diferente. Benishti compara segurança a uma utilidade que roda continuamente pela organização: ninguém abre a plataforma de segurança de e-mail toda manhã pedindo proteção; os funcionários simplesmente esperam que a caixa de entrada funcione sem expor a empresa a phishing, malware e sequestro de contas.

Diferente de um workflow administrativo, um sistema de detecção de phishing nunca está 'resolvido': no momento em que detecta os ataques de hoje, os atacantes já desenvolvem os de amanhã.

O jogo de gato e rato que a IA só acelera

O e-mail segue sendo um dos campos de batalha mais persistentes. Quando as organizações melhoraram na identificação de links suspeitos, os atacantes migraram para serviços legítimos e QR codes. Quando funcionários aprenderam a reconhecer mensagens mal escritas, os criminosos passaram a usar IA generativa para produzir textos mais convincentes.

A IA agêntica ameaça acelerar ainda mais esse ciclo: os atacantes passam a pesquisar alvos, personalizar mensagens, modificar técnicas e operar de forma autônoma em escala, com muito mais velocidade. Quem está na defesa não constrói um produto acabado, participa de uma disputa contínua contra adversários inteligentes.

Atenção: sistemas de detecção aprendem padrões conhecidos; atacantes continuamente experimentam técnicas novas desenhadas justamente para escapar deles. É uma corrida sem linha de chegada.

O fosso defensivo da cibersegurança fica atrás do código

Benishti reconhece que fornecedores de segurança não ficarão imunes: interfaces, soluções pontuais básicas, relatórios e workflows tendem a ser commoditizados conforme o código fica mais fácil de produzir internamente.

O valor real, porém, nunca esteve só no código. Por trás de sistemas eficazes de segurança existem anos de dados de ameaças, telemetria e conhecimento sobre adversários, pesquisadores estudando técnicas emergentes e equipes de detecção aprendendo diariamente com ataques ocorridos em milhares de clientes e ambientes.

Cada novo ataque potencialmente torna o sistema mais inteligente. Essa inteligência acumulada, somada à capacidade de pensar adversarialmente, antecipar vetores de ataque e questionar premissas, é difícil de replicar pedindo a um modelo de IA que construa uma aplicação. A IA pode acelerar a acumulação de expertise; substituí-la é outra história. Quando breches internos viram código exposto, os riscos lembram o problema do data poisoning que ameaça modelos de IA em produção.

De vender software a entregar resultado

A leitura estratégica do CEO da IRONSCALES: se a IA torna software fácil de criar, os fornecedores de segurança precisarão explicitar pelo que o cliente está pagando. Oferecer outra interface, outro workflow ou mais uma coleção de features fica indefensável quando isso é barato de reproduzir.

CritérioSoftware de produtividadeSoftware de cibersegurança
Natureza do problemaTarefa definida e estávelProblema em mudança constante
Produto finalSolvedério com entrega concluídaOperação contínua, jogo de gato e rato
Julgamento de 'solved'Workflow funciona, questão encerradaA ataques atuais sucedem ataques novos
Fonte do valorExecução e featuresDados de ameaças, telemetria e expertise acumulada

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

O valor duradouro migra para o trabalho contínuo que gera resultados: entender ameaças sem parar, adaptar defesas e absorver complexidade para que o cliente não precise fazer isso. Na avaliação do Mercado de TI, a tese dialoga diretamente com o fenômeno do vibe coding, em que executivos passaram a criar software sem escrever código, e reforça a importância da especificação como contrato quando se adota desenvolvimento guiado por spec com IA para manter governança.

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· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

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