Shakers: 4 em cada 10 profissionais de portugal e espanha já ganham mais graças à IA

5 min
Shakers: 4 em cada 10 profissionais de portugal e espanha já ganham mais graças à IA

Estudo State of European AI Builders 2026, da Shakers, mostra que freelancers ibéricos elevaram honorários em 25% com IA, contra 9% de aumento salarial de contratados. Entenda os números e o impacto para a carreira.

Quatro em cada dez profissionais de tecnologia de Portugal e Espanha afirmam que o uso de inteligência artificial já contribuiu, ao menos parcialmente, para aumentar sua remuneração. Os dados são do estudo State of European AI Builders 2026, da Shakers, que analisou como profissionais de tecnologia integram a IA no trabalho e quais efeitos essa mudança gera na renda.

O levantamento indica que a IA deixou de ser apenas ferramenta de produtividade. Nos dois países ibéricos, ela já altera quanto os profissionais ganham, quais competências são mais procuradas e até a forma como empresas recorrem a talento especializado.

Freelancers ganham três vezes mais com IA do que contratados

Entre os profissionais que viram a renda crescer nos últimos 12 meses, o estudo da Shakers aponta uma diferença expressiva entre regimes de trabalho. Freelancers registraram almento médio de 25% nos honorários, contra 9% de reajuste salarial entre trabalhadores empregados.

A capacidade de converter os ganhos de produtividade da IA em rendimento também é maior entre os independentes. Sete em cada dez profissionais dizem conseguir fazer essa conversão, seja por aumento direto da remuneração ou por honorários mais elevados.

Mas por que freelancers capturam mais valor? A leitura mais direta é que o profissional independente precifica por projeto ou por resultado, não por hora. Se a IA reduz pela metade o tempo de entrega, o honorário sobe ou o volume de projetos cresce. Já o assalariado tem remuneração atrelada a tabela e ciclo de avaliação da empresa, o que trava o repasse da produtividade para o contracheque.

# publicidade

Info: o estudo State of European AI Builders 2026 da Shakers ouviu profissionais de tecnologia de vários países da Europa, com recorte específico para Portugal e Espanha.

Portugal e espanha adotam IA mais rápido que o resto da europa

A Península Ibérica se destaca pela velocidade de adoção da tecnologia. Segundo o estudo, 46% dos profissionais de Portugal e Espanha já levaram a maioria ou a totalidade dos seus projetos de IA para produção, contra uma média europeia de 35%.

O uso, porém, nem sempre é transparente. Cerca de 31,5% dos profissionais ibéricos não revelam que proporção do trabalho é feita com IA. Outros 12,2% afirmam que continuariam a usar as ferramentas em segredo caso a empresa as proibisse.

Atenção: esconder o uso de IA pode gerar conflito trabalhista e problemas de confiança com clientes, sobretudo quando há dados sensíveis envolvidos. O ideal é alinhar a política de uso com a empresa ou formalizar a prática no contrato de prestação de serviços.

Cargos mudam e orquestração de agentes vira prioridade para 2027

Mais da metade dos entrevistados considera que a designação oficial do cargo já não corresponde, ou corresponde apenas parcialmente, ao trabalho que realmente desempenha. Para 2027, a orquestração de agentes de IA aparece como uma das principais competências técnicas a desenvolver.

O que orquestrar agentes significa na prática? É coordenar múltiplos agentes autônomos executando etapas de um fluxo, como coleta de dados, geração de código, testes e revisão. O tema já aparece com força no ecossistema: o caso do mercado de tecnologia em Portugal e outros destinos para brasileiros mostra que a demanda ibérica por talento segue aberta para quem domina essas competências.

O estudo aponta ainda uma mudança estrutural na relação entre empresas e especialistas: 49% dos profissionais da Península Ibérica esperam que, até o final de 2027, uma parcela maior do trabalho empresarial seja entregue a especialistas independentes.

Principais pontos

  • 4 em 10 profissionais ibéricos dizem que a IA já aumentou sua remuneração, segundo a Shakers.
  • Freelancers elevaram honorários em 25% em média; contratados, 9%.
  • 46% dos profissionais de Portugal e Espanha já têm a maioria dos projetos de IA em produção, contra 35% na Europa.
  • 31,5% não revelam quanto do trabalho é feito com IA; 12,2% usariam a tecnologia em segredo mesmo sob proibição.
  • Orquestração de agentes de IA é apontada como competência-chave para 2027.

O que a agenda de 2027 exige de quem trabalha com tecnologia

Para o profissional brasileiro, o recorte ibérico funciona como termômetro. A previsão de que 49% do trabalho entregue a especialistas independentes até 2027, segundo o estudo, reforça a tendência de esquadrões fracionados e contratos por entrega. Quem acompanha temas como gestão de agentes de IA em escala já vê a mesma diretriz: saber operar e coordenar agentes vale mais do que apenas usá-los como assistente.

Na prática, a movimentação sugere duas frentes. A primeira é construir um portfólio com projetos de IA em produção, não apenas protótipos. A segunda é entender governança e responsabilidade sobre o uso da tecnologia, tema que ganha peso com o avanço regulatório europeu e brasileiro, como mostra a nova diretriz do EDPB sobre dados para ciência e IA.

Na avaliação do Mercado de TI, o dado mais relevante não é o aumento de 25% em si, mas o descolamento entre freelance e salário: ele indica que a IA recompensa quem controla a precificação do próprio trabalho.

Para o assalariado, a alavanca tende a vir de negociação baseada em resultado mensurável. Para o independente, vale revisar honorários agora, antes que a produtividade com IA vire padrão de mercado e o diferencial desapareça.

D

· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

LinkedIn Site

COMPARTILHAR