Tim Cook deixa Apple com legado de US$ 4 trilhões; John Ternus assume em 1º de setembro

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Tim Cook deixa Apple com legado de US$ 4 trilhões; John Ternus assume em 1º de setembro

Após 15 anos como CEO, Tim Cook passa o comando da Apple a John Ternus nesta terça-feira. A transição aprovada pelo conselho marca a saída de um executivo que multiplicou as receitas da empresa de US$ 108 bilhões para US$ 416 bilhões anuais.

Tim Cook deixa oficialmente o cargo de CEO da Apple nesta terça-feira, 1º de setembro, após 15 anos à frente da companhia. John Ternus, vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, assume a liderança com a missão de conduzir a empresa em um momento decisivo para a inteligência artificial.

A transição, anunciada anteriormente pela Apple, foi "aprovada por unanimidade pelo conselho de administração" e, segundo a companhia, "resulta de um processo de planejamento sucessório ponderado e de longo prazo". Cook permanece na empresa como presidente executivo do conselho.

Quem é John Ternus, o novo CEO da Apple

John Ternus entrou na Apple em 2001 e trabalhou sob a liderança de Steve Jobs, tendo Tim Cook como mentor. Como vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, teve papel determinante no lançamento do iPad, AirPods, várias gerações do iPhone, Apple Watch e Mac, incluindo o MacBook Neo lançado este ano.

Em memorando aos funcionários obtido pela Bloomberg, Cook admitiu que sentirá falta do cargo, mas afirmou estar tranquilo com a liderança do sucessor. Sobre Ternus, declarou que "poucas pessoas compreendem o que é necessário para criar produtos capazes de mudar o mundo como o John compreende e não poderia estar mais entusiasmado com a sua liderança".

No último dia como CEO, Cook publicou uma mensagem de despedida: "Sending lots of love to the Apple community on my last day as CEO. My title changes tomorrow, but the love I have for the Apple community never will", escreveu no perfil oficial no X.

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Info: Ternus é o terceiro CEO da Apple desde a fundação, sucedendo Steve Jobs (-2011) e Tim Cook (2011-2026).

A herança da era Cook em números

Tim Cook entrou na Apple em 1998. Em 24 de agosto de 2011, Steve Jobs passou-lhe o testemunho apenas seis semanas antes de falecer. Francisco Jerónimo, vice-presidente para a EMEA na área de Devices (Data & Analytics) na IDC, detalhou a transformação em comentário enviado à newsletter do TEK Notícias.

Quando Cook assumiu, a Apple registava US$ 108 bilhões em receitas anuais. No ano fiscal de 2025, esse valor alcançou US$ 416 bilhões. A capitalização bolsista saltou de cerca de US$ 350 bilhões para mais de US$ 4 trilhões, chegando a atingir US$ 5 trilhões este ano.

"Independentemente do que se diga sobre Cook, ele liderou um dos maiores e mais prolongados processos de criação de valor da história empresarial." — Francisco Jerónimo, IDC

Os serviços foram área central da estratégia de Cook. Em 2011, geravam cerca de US$ 9,4 bilhões; em 2025, dispararam para US$ 109 bilhões, com mais de 1,5 bilhão de assinaturas pagas. O negócio de wearables saltou de menos de US$ 10 bilhões para mais de US$ 30 bilhões.

Durante sua liderança, a empresa lançou Apple Watch, AirPods, Apple Vision Pro, iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. A era também marcou a transição para o Apple Silicon, com chips produzidos pela própria companhia.

Os três desafios de Ternus

O primeiro desafio é a inteligência artificial. "O Apple Intelligence chegou mais tarde do que as ofertas equivalentes dos concorrentes e a recessão inicial foi mista", recorda Jerónimo. A empresa tentou recuperar terreno na última WWDC com a Siri renovada, mas ainda precisa transformar as funcionalidades em vantagem competitiva clara.

O segundo desafio é encontrar a próxima grande categoria de produto. Apple Watch e AirPods foram sucessos, mas nenhum alcançou a dimensão do iPhone. "A questão sobre o que virá depois do iPhone continua, por isso, em aberto e cabe agora a Ternus responder", destaca o analista.

Completam o quadro as questões da cadeia de fornecimento e a dependência da China, além da crescente pressão regulatória sobre a App Store e o negócio de serviços, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

Atenção: Rivais como Samsung, Google e Xiaomi investem fortemente em IA. Se a Apple acelerar, elevará a régua para toda a indústria. Se hesitar, criará uma oportunidade que os concorrentes não vão ignorar.

O primeiro teste: Evento Apple de 9 de setembro

John Ternus terá pouco mais de uma semana como CEO quando subir ao palco do próximo Apple Event, marcado para 9 de setembro. A apresentação marca a transição da liderança e deve revelar a nova geração do iPhone, novos smartwatches, colunas inteligentes e as versões públicas dos sistemas operativos anunciados na WWDC.

A grande expectativa está no primeiro iPhone dobrável. Se confirmado, será uma das maiores mudanças na linha de smartphones da Apple nos últimos anos e a primeira grande decisão de produto da era Ternus. A empresa também trabalha em óculos inteligentes e dispositivos voltados à evolução da IA.

Para Jerónimo, a nomeação de Ternus "representa uma escolha deliberada da Apple para privilegiar a continuidade e a execução em detrimento de uma mudança radical". No curto e médio prazo, "o negócio está em boas mãos". A questão mais difícil, diz, é "o que vai atacar primeiro".

Principais pontos

  • Transição concluída: Tim Cook deixa o cargo de CEO em 1º de setembro e segue como presidente do conselho

  • Legado bilionário: receitas passaram de US$ 108 bilhões (2011) para US$ 416 bilhões (2025); capitalização superou US$ 4 trilhões

  • Novo CEO experiente: John Ternus, engenheiro de hardware desde 2001, liderou iPad, AirPods e MacBook Neo

  • Desafios urgentes: IA atrasada, sucessor do iPhone e pressão regulatória sobre App Store

  • Primeiro teste imediato: Apple Event em 9 de setembro com possível iPhone dobrável

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Fonte: Sapo Tek

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