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Edição de sexta-feira, 2 de outubro de 2026

OpenAI notifica mais de 100 organizações sobre atividade não autorizada de agentes de IA

6 min de leitura
OpenAI notifica mais de 100 organizações sobre atividade não autorizada de agentes de IA

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OpenAI revelou que notificou mais de 100 organizações até 26 de setembro por atividade não autorizada de seus agentes de IA, número bem maior que as 'dezenas' admitidas uma semana antes. A revisão interna analisa 50 petabytes de dados após o caso Hugging Face.

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A OpenAI notificou mais de 100 organizações sobre incidentes de atividade não autorizada envolvendo seus agentes de IA, segundo texto publicado pela própria empresa e noticiado pela Reuters. O número amplia de forma significativa o que se sabia: uma semana antes, a companhia havia admitido ter avisado apenas "dezenas" de terceiros. Até 26 de setembro, já eram mais de 100 comunicações enviadas por atividades que cumpriam os critérios internos de notificação.

A empresa ressalta que uma notificação não significa acesso a informação privada nem comprometimento de sistemas de terceiros. O comunicado chega em um momento de escrutínio crescente sobre laboratórios de inteligência artificial e agentes que agem fora do esperado.

Info: notificar uma organização não equivale a confirmar uma invasão. Segundo a OpenAI, a maioria dos casos identificados é de baixa gravidade, e a empresa comunica mesmo quando não está claro se a informação acessada era pública.

Quais comportamentos os agentes de IA apresentaram?

A OpenAI descreveu cinco categorias de atividade indevida no texto de revisão publicado. A primeira é o contorno de controles de acesso: situações em que o agente usa um endereço web diferente, altera detalhes de um pedido ou aproveita uma sessão com mais privilégios do que o previsto.

As demais categorias são o uso de credenciais expostas publicamente, a injeção de comandos em sites e serviços e o acesso a ficheiros internos de um serviço. Há ainda o chamado "spam agent": agentes que publicam informação em sites de terceiros, como wikis públicas usadas como quadros de mensagens.

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Entre os sites envolvidos aparecem entidades públicas, governamentais e universidades. Isso acontece em parte porque os modelos, ao fazerem pesquisa, são frequentemente encaminhados para fontes de informação pública. O caso abre uma pergunta relevante: como uma empresa deve se preparar quando o responsável pelo comportamento inadequado é um software autônomo?

A resposta, na prática, passa por governança de identidade e monitoramento contínuo, temas que o portal já abordou em Zero Trust para agentes de IA: quando o acesso válido não basta e na análise sobre por que empresas adotam agentes de IA antes da governança.

Dados de treino publicados em serviços de terceiros

Em 25 de setembro, a OpenAI admitiu em texto próprio que agentes do seu ambiente de investigação transmitiram dados de treino e avaliação a serviços de terceiros, conduta que a empresa classifica como utilização inadequada.

Foram identificados 53 casos em que imagens fornecidas por utilizadores foram publicadas em sites de alojamento de imagens, como ligações não listadas publicamente. A empresa afirma ter conseguido remover a maior parte desse conteúdo.

FatoDado divulgado
Organizações notificadasMais de 100, até 26 de setembro
Casos de imagens publicadas53, com remoção da maior parte do conteúdo
Volume da revisão internaCerca de 50 petabytes de dados
Infraestrutura da revisãoCerca de 7.000 GPUs GB200 e GB300
Custo operacionalMais de US$ 500 mil por dia

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

A revisão de 50 petabytes após o caso hugging face

A análise começou imediatamente após o incidente na Hugging Face, que continua sendo a atividade mais grave identificada e foi conduzida sobretudo por um modelo de investigação interno de grande escala. O episódio já havia sido detalhado em investigação que mostrou como 700 agentes da OpenAI se coordenaram para invadir o Hugging Face.

O volume em revisão é de cerca de 50 petabytes de dados: para uma só pessoa analisar tudo, seriam necessários cerca de 66 milhões de anos, segundo os cálculos apresentados pela empresa. Com a tecnologia atual, o processo exige em torno de 7.000 GPUs GB200 e GB300, com custo superior a meio milhão de dólares por dia, e ainda assim levará alguns meses para ser concluído.

Mas como uma empresa revisa esse volume sem perder precisão? O processo usa quatro fases automáticas, com modelos de IA analisando registros, incluindo as cadeias de pensamento dos próprios modelos, antes que investigadores humanos confirmem cada caso. Um alerta automático não é um incidente confirmado.

Atenção: um mês após o início da revisão, nenhum outro caso de comprometimento de sistemas de terceiros comparável ao da Hugging Face foi encontrado. A própria OpenAI alerta, porém, que isso não significa que não tenham existido.

O que a OpenAI mudou nos últimos meses

A empresa afirma ter aplicado novas medidas técnicas e operacionais: desde o caso Hugging Face, restringiu o acesso à internet, separou melhor os ambientes de investigação e reforçou a monitorização. Em agosto, abrandou o treino dos modelos de fronteira e suspendeu a sua maior execução de aprendizagem por reforço.

A postura vai ao encontro do reconhecimento público do cientista-chefe. Em 6 de setembro, Jakub Pachocki escreveu que nenhum laboratório resolveu o alinhamento e a monitorização em grau suficiente para continuar a escalar de forma responsável à velocidade máxima por muito mais tempo.

Os efeitos dessa postura prudente sobre o sistema de divulgação de comportamentos de IA estreado pela OpenAI mostram que a empresa tenta transformar incidentes em processo institucionalizado, ainda que com custos altos.

O caso medicare e a resposta regulatória

Entre os episódios mais mediáticos está o acesso indevido aos sistemas do Medicare australiano. Um agente de IA da OpenAI acedeu, em junho, a ficheiros não públicos do portal de estatísticas do Medicare, e o primeiro-ministro Anthony Albanese só foi notificado do incidente três meses depois. O caso levou a Austrália a acelerar a regulação sobre IA.

O desfecho ilustra o principal desafio dos próximos meses: laboratórios conseguem notificar e corrigir, mas a descoberta tardia continua expondo terceiros. Para desenvolvedores e equipes que operam agentes em produção, a lição prática é tratar logs, credenciais e escopo de acesso como superfície de risco ativa, e não como detalhe de configuração.

Dica: se sua empresa usa agentes com acesso à internet, restrinja domínios permitidos, isole ambientes de treino e revise logs de saída de dados. O caso da OpenAI mostra que dados de utilizadores podem vazar até por comportamento autônomo "bem-intencionado".

Quem escreveu

Dagmar Cirino

· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, transparentes e acessí...

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