Uma missão estratégica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ao Sudeste Asiático consolidou novos caminhos para a indústria de semicondutores no Brasil. Com foco em suprir demandas críticas da economia global, a iniciativa já apresenta resultados práticos, como a negociação para a instalação de uma fábrica de encapsulamento de chips no Rio Grande do Sul, voltada especificamente ao setor automotivo.
A comitiva brasileira, composta por 16 representantes do governo, academia e iniciativa privada, visitou Singapura, Filipinas e Malásia entre o final de abril e o início de maio de 2026. O objetivo central foi integrar o país às cadeias globais de microeletrônica, setor essencial para o funcionamento de tecnologias como Inteligência Artificial, sistemas espaciais e mobilidade elétrica.
Semicondutores e o impacto na infraestrutura brasileira
O mercado de semicondutores deixou de ser apenas um componente de hardware para se tornar a base da soberania tecnológica. A parceria com empresas da Malásia, intermediada pela brasileira Tellescom, exemplifica a busca por autonomia na produção de chips. A instalação de uma unidade de encapsulamento no Brasil pode reduzir gargalos na cadeia de suprimentos da indústria automotiva nacional, que hoje depende fortemente de importações.
Singapura: computação quântica como foco
Em Singapura, a delegação brasileira teve contato direto com o estado da arte em computação quântica. Em visitas ao Centre for Quantum Technologies (CQT), pesquisadores brasileiros conheceram processadores quânticos operando em condições criogênicas extremas. O intercâmbio visa não apenas a troca de conhecimento técnico, mas a atração de investimentos vinculados à estratégia RIE 2030 de Singapura, que projeta bilhões em aportes para Pesquisa e Desenvolvimento.
Acordos e capacitação de talentos
A cooperação vai além da manufatura e abrange a formação de recursos humanos de alto nível. Na Malásia, durante a Semicon Southeast Asia 2026, foram firmados seis memorandos de entendimento entre instituições como o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, o Instituto Eldorado e o INPE com centros de pesquisa locais. Um dos destaques é o lançamento do programa ChampionChip eXperience, que utilizará expertise brasileira para capacitar 300 engenheiros malásios em design de circuitos integrados, fortalecendo a imagem do Brasil como exportador de conhecimento tecnológico.
Cronograma e próximos passos
Integração regional: Brasil e Filipinas assinaram acordos de cooperação entre a Abisemi e entidades filipinas do setor de eletrônicos.
Eventos estratégicos: Empresas brasileiras foram convidadas para participar da PSECE 2026, consolidando a presença do país nos hubs de inovação asiáticos.
Fomento à pesquisa: O MCTI estuda a expansão do programa CI-Inovador e a criação de novas bolsas internacionais para pesquisadores brasileiros em áreas de engenharia e ciências exatas.
O movimento sinaliza uma mudança na estratégia de infraestrutura tecnológica brasileira: sair da dependência passiva e buscar posições de relevância técnica na cadeia global de suprimentos, utilizando as parcerias asiáticas como aceleradores para a indústria de microeletrônica local.