Deepfakes: deputadas da UE são 33 vezes mais visadas; EUA fazem maior apreensão de sites do tipo

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Deepfakes: deputadas da UE são 33 vezes mais visadas; EUA fazem maior apreensão de sites do tipo

Estudo da think tank alemã Agora Digitale Transformation encontrou 138 deputadas europeias em sites de deepfakes pornográficos, contra apenas 9 homens. Nos EUA, o procurador de Manhattan apreendeu 12 domínios que exploravam imagens de 1.200 pessoas sem consentimento.

Deputadas de países da União Europeia são 33 vezes mais visadas do que colegas homens em sites de deepfakes pornográficos, segundo a think tank alemã Agora Digitale Transformation. No mesmo período, o procurador de Manhattan, Alvin Bragg, anunciou a apreensão de 12 domínios usados para vender e distribuir esse conteúdo, a maior operação do tipo já feita nos Estados Unidos.

O que a investigação alemã encontrou nos sites de deepfakes

A investigação da Agora Digitale Transformation, conduzida pelo pesquisador Benjamin Shultz, analisou cerca de 160 sites dedicados a conteúdo sexual não consensual gerado por inteligência artificial. O levantamento encontrou referências a pelo menos 138 deputadas de parlamentos nacionais em 22 países da União Europeia, contra apenas nove deputados homens mencionados nas mesmas plataformas.

Pelo cálculo do pesquisador, isso torna as mulheres parlamentares 33 vezes mais suscetíveis de serem alvo desses sites do que seus colegas homens. Alemanha, Países Baixos, Itália e França concentram o maior número de parlamentares identificados, e há um padrão claro: quanto mais sênior a posição política, maior a probabilidade de a parlamentar ser visada.

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Shultz contactou individualmente todas as parlamentares identificadas, com orientações sobre como solicitar a remoção do conteúdo. O trabalho mostra que o problema não é abstrato: envolve pessoas reais, nomeadas, em cargo público.

Por que o recorte importa para quem trabalha com tecnologia? Porque ele quantifica um vetor de abuso que até aqui era reportado de forma difusa, e dá base empírica para a discussão regulatória que avança na Europa sobre ferramentas de segurança digital e expansão de IA.

A maior apreensão de sites de deepfakes da história dos EUA

Do outro lado do Atlântico, o gabinete do procurador de Manhattan, Alvin Bragg, anunciou a apreensão de 12 domínios usados para vender e distribuir deepfakes pornográficos gerados por IA. As autoridades descrevem a operação como a maior já realizada contra esse tipo de site nos Estados Unidos.

"1.200 pessoas tiveram seus rostos e corpos roubados e transformados em pornografia ilegal em 12 sites diferentes, sem seu conhecimento ou consentimento. Hoje, meu gabinete anuncia que apreendemos esses sites por ordem judicial", afirmou Alvin Bragg em publicação oficial no X.

No total, os sites visavam cerca de 1.200 pessoas reais, na maioria mulheres com exposição pública: atrizes, políticas, atletas, músicas e ativistas. As imagens foram manipuladas para parecerem envolvidas em atos sexuais explícitos sem consentimento.

Vários dos vídeos encontrados nessas plataformas teriam origem no MrDeepFakes.com, antiga referência desse tipo de conteúdo, que encerrou as atividades em 2025 após uma investigação jornalística identificar seus responsáveis.

O contexto regulatório nos EUA e na europa

A ação em Nova York acontece poucos meses depois de entrar em vigor, nos Estados Unidos, uma lei federal que obriga plataformas tecnológicas a remover imagens sexuais não consensuais, incluindo as geradas artificialmente. A apreensão dos 12 domínios é um dos primeiros grandes testes práticos desse novo arcabouço.

Na Europa, casos como o identificado por Shultz alimentam o debate sobre regras mais rígidas para as ferramentas de IA usadas na criação desse material. O Parlamento Europeu e o Conselho da UE já chegaram a acordo para banir sistemas de IA que gerem imagens sexuais não consensuais, movimento acelerado pela polêmica em torno do assistente Grok, da rede social X, que permitia criar deepfakes de adultos e crianças nus.

O pano de fundo técnico preocupa: aplicações de "nudificação" tornaram o processo acessível a qualquer pessoa, sem necessidade de conhecimento especializado. É o mesmo tipo de assimetria que o portal já abordou ao analisar como agentes de IA podem expor dados privados e na discussão sobre autorização como chave da proteção em cibersegurança.

O que esse cenário significa para profissionais de tecnologia

A convergência dos dois fatos, estudo europeu e apreensão americana, sinaliza que deepfake não consensual deixou de ser tema marginal e passou a ser prioridade de enforcement e de regulação.

Atenção: equipes que operam plataformas de conteúdo gerado por usuário devem tratar mecanismos de detecção e remoção de deepfakes como requisito de compliance, não como diferencial. A tendência regulatória nos EUA e na UE aponta nessa direção.

Na avaliação do Mercado de TI, o dado mais relevante do estudo alemão é o padrão de alvo: mulheres em posição de visibilidade pública. Isso indica que ataques desse tipo funcionam também como ferramenta de intimidação política, o que tende a endurecer ainda mais a resposta regulatória.

Para o ecossistema brasileiro, o recado é direto: empresas que oferecem ferramentas de geração de imagem e vídeo com IA devem acompanhar de perto esses marcos, porque a legislação europeia e americana costuma servir de referência para debates regulatórios locais.

O próximo passo a observar é a efetividade prática das apreensões: remover domínios é necessário, mas o histórico do MrDeepFakes, que encerrou em 2025 e ainda assim segue como origem de material, sugere que o conteúdo migra. A fiscalização contínua, e não ações pontuais, será o verdadeiro teste.

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· Editor-chefe

Especialista em tecnologia, criador de conteúdo e fundador do portal Mercado de TI e Casa do Dev. Analiso tendências de mercado, Inteligência Artificial e carreira, entregando informações precisas, tr...

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