Produto baseado em comportamento: por que ignorar pedidos de feature acelera seu roadmap

5 min
Produto baseado em comportamento: por que ignorar pedidos de feature acelera seu roadmap

Feedback vira roadmap e você descobre que a correção esperada era a errada. Um método de quatro passos, com base na operação da InList em dezenas de mercados, mostra como ler pedidos de feature pela causa raiz e validar hipóteses com dados de uso antes de codificar.

Feedback transformado em roadmap costuma ser o produto moldado pelos usuários mais barulhentos da semana, não pelos mais representativos.

Leia além do pedido de feature até a causa raiz

Quando alguém pede uma funcionalidade, normalmente está descrevendo um contorno para o problema, não o problema em si. Alguém que pede “mais opções de filtro” pode estar dizendo que os resultados iniciais não são relevantes o suficiente para exigir filtro. O pedido é real, mas a correção implícita quase sempre é a errada.

Por que tratar o palpite do usuário como especificação costuma pular a etapa em que você descobre se ele é o correto? Pessoas são melhores em descrever o que as frustra do que em diagnosticar a causa. A sugestão é filtrada pelo entendimento parcial que elas têm do produto, raramente o quadro completo do que acontece por baixo.

Antes de construir o que foi pedido, olhe o que a pessoa fazia imediatamente antes do pedido. O padrão de uso aponta o gatilho. A solicitação é o desfecho.

O mesmo sinal muda de significado conforme o mercado

A InList opera em dezenas de mercados e aprendeu que um mesmo padrão comportamental raramente tem a mesma causa. Uma alta taxa de desistência em uma etapa pode significar uma coisa em uma cidade e outra em outra, dependendo da temporada ou do tipo de evento reservado.

No início, a equipe tratava os dados de uso de todos os mercados como um único conjunto. O erro, segundo o cofundador, foi quase eliminar o sinal que tentavam encontrar por meio da média geral.

Segmentar os dados que já existiam, antes de tirar conclusões, fez o sinal real aparecer. Segmentação por cidade, sazonalidade e categoria de evento é a base da leitura correta.

Observe antes de perguntar

Assistir alguém usando o produto encontra fricção mais rápido do que qualquer pesquisa. Pessoas são narradoras pouco confiáveis da própria confusão: racionalizam, culpam a si mesmas ou esquecem quando alguém pergunta sobre o problema.

Trazer alguém não familiarizado com o fluxo e observar em silêncio onde hesita ou retrocede revela problemas que jamais virariam ticket de suporte ou feedback direto. Uma sessão de usabilidade de 20 minutos, sem coaching ou condução, tende a trazer mais problemas reais do que uma semana de feedback coletado.

Deixe os dados apontarem a direção, depois descubra o porquê

Os números de lifetime value e retenção da InList pareciam preocupantes à primeira vista. Indicavam que os membros não ficavam por muito tempo na plataforma.

Conversas diretas contaram outra história. Os membros gostavam do serviço, apenas não o usavam com a frequência que a equipe presumia. A conversa levou à expansão do catálogo, com mais motivos para voltar com mais frequência.

Nenhum sinal isoladamente teria funcionado. Os dados sinalizaram que havia algo a investigar. A conversa revelou o que era de fato. Comportamento diz onde olhar. Conversa diz o porquê.

O que fica para o roadmap

Nada disso torna o feedback obsoleto. Torna o feedback mais preciso. Fundadores que perseguem pedidos de feature terminam com um produto moldado por quem teve tempo de reclamar mais alto.

Leitura de produto quando comportamento e conversa são combinados
SinalO que dizem os dadosO que revela a conversaAção recomendada
Pedido de mais filtrosResultados iniciais não relevantes para o usuárioO usuário não encontra contexto do evento antes de filtrarCorrigir relevância da busca antes de adicionar filtros
Alta desistência em uma etapaFricção pontual no fluxoCausa varia por cidade ou temporadaSegmentar por mercado antes de alterar o fluxo
Baixa retenção aparenteMembros não usam com a frequência previstaMembros gostam do serviço, mas não têm motivo para voltarExpandir catálogo para gerar recorrência

Arraste para o lado para ver toda a tabela.

Fundadores que começam pelo comportamento e confirmam com conversas reais terminam com um produto moldado pelo que acontece em escala. A combinação de dados de uso, observação direta e entrevistas pontuais é o que permite separar sintoma de causa.

Leia também:

Fonte: Forbes Technology Council

COMPARTILHAR