Inteligência artificial brasileira melhora precisão de alertas contra enxurradas

Novo modelo desenvolvido pelo Cemaden e INPE utiliza aprendizado de máquina para calcular incertezas e dar mais confiabilidade aos sistemas de prevenção de desastres.

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Monitoramento de desastres naturais com uso de tecnologia de inteligência artificial
Monitoramento de desastres naturais com uso de tecnologia de inteligência artificial

A inteligência artificial aplicada à prevenção de desastres naturais acaba de ganhar um reforço estratégico no Brasil. Uma pesquisa inédita, conduzida pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em parceria com o INPE e o Serpro, desenvolveu um modelo que torna as previsões de enxurradas significativamente mais confiáveis.

O grande diferencial da nova tecnologia é a capacidade de incorporar as incertezas presentes nos dados climáticos.

Enquanto a maioria dos sistemas atuais trabalha com previsões determinísticas, que indicam apenas um resultado possível, o novo modelo utiliza aprendizado de máquina para entender as limitações de sensores e falhas de medição, oferecendo um grau de confiança real para cada alerta emitido.

Inovação com o modelo UAE-ML

Publicado na revista científica Transactions in GIS em maio de 2026, o estudo introduz o modelo Uncertainty-Aware Ensemble for Machine Learning (UAE-ML).

Em vez de um valor único, a ferramenta gera faixas de previsão probabilísticas. Isso significa que, em situações de risco, o sistema informa não apenas o comportamento do rio, mas o quanto aquela informação é segura para a tomada de decisão.

A pesquisa resultou em quatro contribuições principais para o setor:

  • Criação de uma base pública com cinco anos de dados de alta resolução (2019 a 2023);

  • Metodologia para analisar como erros de sensores afetam as previsões;

  • Desenvolvimento do modelo probabilístico UAE-ML;

  • Novas métricas para medir a robustez dos sistemas de alerta.

Para Jaqueline Soares, tecnologista do Cemaden e principal autora do trabalho, o foco é tornar os sistemas operacionais mais robustos.

Segundo a pesquisadora, a análise explícita de incertezas permite que o modelo seja mais resiliente em cenários reais, onde os dados nem sempre são perfeitos.

Teste prático em Nova Friburgo

A eficácia do sistema foi testada na bacia do rio Bengalas, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. A região é conhecida pelo relevo acidentado e pelo histórico de desastres, como a tragédia de 2011.

Os pesquisadores analisaram mais de 73 mil registros, testando cinco técnicas diferentes de aprendizado de máquina com previsões de até 6 horas de antecedência.

Os resultados mostraram que modelos extremamente precisos em situações normais podem falhar quando os dados são incertos. Por isso, a equipe defende uma avaliação que considere não apenas a precisão, mas também o custo computacional e a robustez.

Essa abordagem é essencial para que a Defesa Civil tenha tempo hábil e segurança técnica para agir.

A expectativa é que a metodologia seja integrada aos sistemas de alerta precoce do Cemaden, fortalecendo as políticas públicas de prevenção.

Com a abertura da base de dados para a comunidade científica, o projeto também incentiva novos avanços na área de inteligência artificial voltada para a segurança da população brasileira.

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