A adoção de inteligência artificial no setor de saúde brasileiro atingiu 18% dos estabelecimentos em 2025, revelando um cenário de transformação digital ainda concentrado em automações operacionais e administrativas. Os dados, extraídos da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada pelo CGI.br, mostram que hospitais de maior porte (acima de 50 leitos) lideram esse movimento, com 31% de adoção.
Para profissionais de TI e tomadores de decisão, o estudo traz um alerta: a tecnologia está presente, mas a maturidade de dados, a interoperabilidade e a governança sob a LGPD ainda caminham a passos lentos, criando um gargalo entre a digitalização dos processos e a inteligência clínica aplicada.
IA Generativa domina, mas foco é administrativo
Entre as unidades que já implementaram soluções inteligentes, a IA generativa surge como a protagonista, presente em 76% dos estabelecimentos. Contudo, a aplicação prática revela um viés de eficiência burocrática:
- Organização de processos clínicos e administrativos (topo da lista).
- Melhoria na segurança digital (36%).
- Aumento da eficiência dos tratamentos (32%).
O desafio agora, segundo os especialistas do Cetic.br, é migrar essa capacidade para o suporte à decisão clínica avançada, área que exige não apenas algoritmos, mas integração profunda de dados.
Barreiras estruturais: o que trava o setor?
A pesquisa detalha por que a IA ainda não é uma realidade onipresente. Nos hospitais, os principais impeditivos são custos elevados (63%), falta de priorização institucional (56%) e carência de profissionais qualificados (51%). Já em serviços de apoio diagnóstico (SADT), a ausência de interesse e o receio com a privacidade de dados (50%) dominam o debate.
| Desafio | Impacto em Grandes Hospitais | Impacto em SADT |
|---|---|---|
| Custos de Implementação | 63% | Não prioritário |
| Falta de Prioridade | 56% | 64% |
| Privacidade/LGPD | Dados técnicos | 50% |
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Interoperabilidade: o elo perdido na saúde digital
Apesar de 92% dos estabelecimentos utilizarem sistemas eletrônicos de registro, a comunicação entre diferentes instituições ainda é falha. Apenas 44% possuem sistemas aptos a trocar encaminhamentos eletrônicos, evidenciando que, embora o paciente esteja digitalizado, seu prontuário ainda é um documento ilhado. A integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) aparece como o caminho estratégico para resolver essa fragmentação, com 44% dos locais já conectados.
Segurança da informação e o futuro
A maturidade em segurança da informação segue desigual. Enquanto 42% dos estabelecimentos declaram possuir uma política formal de segurança, apenas 30% contam com estruturas robustas como planos de resposta a incidentes ou encarregados de dados (DPO) dedicados. Para o profissional de TI, o cenário aponta uma demanda crescente por perfis que unam cibersegurança, conformidade regulatória e visão de negócio em saúde.