A busca por soluções viáveis na transição energética ganhou um novo e importante capítulo tecnológico no Brasil com a inauguração do Centro de Tecnologia em Energias Renováveis do Semiárido (CTERSA).
Localizado nas dependências do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em Campina Grande, na Paraíba, o novo complexo de pesquisa recebeu um investimento robusto de R$ 34 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), viabilizado por meio da Finep. A estrutura de 2.205 m² integrará pesquisa aplicada, desenvolvimento de hardware, IoT e atração de startups focadas no setor elétrico.
O que é o CTERSA e como ele impacta o ecossistema de tecnologia
O CTERSA nasce com o objetivo de centralizar e acelerar o desenvolvimento de novas patentes e tecnologias aplicadas ao mercado energético brasileiro, aproveitando as condições climáticas particulares do Semiárido nordestino.
De acordo com o diretor do Insa, Etham Barbosa, o centro atuará diretamente como um hub de inovação, conectando universidades, centros de pesquisa e o setor corporativo privado.
Para os profissionais de tecnologia e engenharia, o novo polo abre um campo massivo de testes para sistemas distribuídos, automação de subestações, sensoriamento IoT de redes inteligentes (smart grids) e análise preditiva de geração limpa. O espaço conta com laboratórios de ponta preparados para lidar com cinco verticais principais de desenvolvimento.
Área de Atuação | Foco Tecnológico Principal | Aplicações em TI e Engenharia |
|---|---|---|
Solar & Eólica | Otimização de células fotovoltaicas e aerogeradores | Algoritmos de IA para predição climática e gêmeos digitais (Digital Twins) |
Biomassa & Biocombustíveis | Aproveitamento de resíduos orgânicos da caatinga | Sistemas de automação industrial (SCADA) para plantas de processamento |
Hidrogênio de Baixo Carbono | Geração e armazenamento de H2 sustentável | Modelagem matemática, controle térmico e simulação química computacional |
Gestão Inteligente de Energia | Sistemas distribuídos e microredes eficientes | Internet das Coisas (IoT), redes de comunicação Mesh e Smart Grids |
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Programa Vértice: Oportunidades para deeptechs no Nordeste
Um dos grandes diferenciais do CTERSA para o ecossistema de startups brasileiro é a operação do Programa Vértice. Esta iniciativa visa acelerar especificamente as chamadas deeptechs — startups que fundamentam suas soluções em descobertas científicas e inovações de engenharia de alta complexidade. O programa abrangerá projetos de desenvolvimento tecnológico nos 11 estados que compõem a região delimitada do Semiárido brasileiro.
O que são Deeptechs no setor de energia?Diferente de startups convencionais focadas em softwares SaaS tradicionais, as deeptechs de energia trabalham na intersecção de hardware avançado, novos materiais, inteligência artificial aplicada e sistemas físicos complexos. Elas lidam com desafios como eficiência de armazenamento de baterias, semicondutores para redes de alta tensão e processamento de dados massivos de sensores em tempo real para evitar blefautes em tempo recorde.
O Programa Vértice servirá como uma ponte, conectando a infraestrutura de laboratórios do CTERSA com indústrias parceiras. As startups selecionadas terão suporte para validar MVPs de hardware, testar softwares de despacho em escala real e homologar equipamentos seguindo as normas técnicas vigentes.
Agenda Estratégica 2032 e Automação de Processos
O novo centro está respaldado pela Agenda Estratégica para 2032, criada com base em estudos técnicos aprofundados sobre os desafios do setor de infraestrutura e transição energética. A agenda já possui mais de 300 ações catalogadas que demandarão forte envolvimento de profissionais de ciência de dados, segurança cibernética aplicada a redes elétricas e desenvolvedores de soluções de automação industrial.
Outro ponto crítico é o foco em economia circular e captura de carbono. A integração de computação científica para mapear o balanço de carbono e automatizar sistemas de dessalinização de água no Semiárido são prioridades para a região, promovendo a inclusão produtiva com base científica e ambiental.
R$ 513 milhões em investimentos em inovação na Paraíba
O aporte de R$ 34 milhões no CTERSA faz parte de uma política de fomento à inovação tecnológica que tem a Paraíba como um dos focos nacionais. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o estado recebeu mais de R$ 513 milhões entre 2023 e 2025 para projetos de pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura científica. Esse montante representa quase o triplo dos R$ 174 milhões investidos na região entre 2019 e 2022.
Essa expansão financeira não beneficia apenas as energias renováveis, mas também impulsiona projetos locais focados em computação quântica, inteligência artificial integrada à indústria 4.0 e formação de mão de obra altamente qualificada em desenvolvimento de software e infraestrutura tecnológica.
Perguntas Frequentes
O que significa a sigla CTERSA e onde ele fica localizado?
O CTERSA significa Centro de Tecnologia em Energias Renováveis do Semiárido. Ele está sediado nas instalações do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), em Campina Grande, na Paraíba.
Qual foi o investimento feito no centro de tecnologia?
O investimento total foi de R$ 34 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), através da Finep.
Quais são as principais áreas de pesquisa científica do CTERSA?
O centro atua em cinco áreas estratégicas: energia solar, energia eólica, biomassa, biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono, além de focar em automação de processos, gestão de redes de energia inteligentes e dessalinização.
O que é o Programa Vértice de aceleração?
É uma iniciativa que funcionará em conjunto com o CTERSA para acelerar deeptechs de energias renováveis em todos os 11 estados do Semiárido, aproximando pesquisa aplicada de necessidades reais de mercado.
Qual é a relação entre este novo centro e a área de TI brasileira?
O CTERSA será um polo gerador de dados e demandas para inteligência artificial, IoT industrial, desenvolvimento de softwares para smart grids (redes inteligentes), automação robótica de processos de dessalinização e segurança cibernética voltada para infraestrutura de energia.