O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o CNPq anunciaram o relançamento do programa ProÁfrica, disponibilizando R$ 25 milhões para fomentar a cooperação científica entre o Brasil e países africanos. A chamada pública busca pesquisadores doutores dispostos a desenvolver soluções conjuntas em áreas estratégicas como inteligência artificial, saúde digital e energias renováveis.
As propostas devem ser enviadas pela Plataforma Integrada Carlos Chagas até o dia 31 de agosto de 2026. O financiamento visa fortalecer redes de pesquisa e promover a mobilidade acadêmica entre o Brasil e o continente africano, com foco em desafios comuns de desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica.
Modalidades e áreas de impacto
O edital divide o financiamento em modalidades distintas, atendendo tanto a grupos já estabelecidos quanto a novas parcerias. Projetos de redes temáticas consolidadas podem receber até R$ 1 milhão, enquanto redes emergentes e iniciativas bilaterais possuem teto de R$ 400 mil. Além do aporte financeiro, o programa custeia passagens, diárias e bolsas para intercâmbio de pesquisadores.
Entre as linhas de pesquisa prioritárias para profissionais de TI e ciência de dados, destacam-se:
Inteligência Artificial: Aplicações voltadas para o desenvolvimento social e industrial.
Saúde Digital e Telemedicina: Tecnologias que otimizam o atendimento em regiões com desafios de infraestrutura.
Internet das Coisas (IoT): Soluções para agricultura resiliente e monitoramento ambiental.
Armazenamento de Energia: Inovação em fontes renováveis e sustentabilidade.
Descentralização e estratégia de cooperação
Um dos diferenciais deste ciclo do ProÁfrica é a política de descentralização científica. Pelo menos 30% dos recursos do FNDCT serão obrigatoriamente destinados a projetos que incluam instituições das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O objetivo é expandir o alcance da produção científica brasileira para além do eixo tradicional de pesquisas.
O presidente do CNPq, Olival Freire, reforçou que o programa é uma peça central da nova diplomacia científica brasileira. A iniciativa busca criar um eixo de troca de conhecimento no Sul Global, reduzindo a dependência exclusiva de parcerias com o Norte Global e fomentando uma ciência conectada com a realidade local de ambos os territórios.
Próximos passos para pesquisadores
Os projetos aprovados terão duração de até 36 meses, com o processo de julgamento ocorrendo entre setembro e outubro de 2026. A avaliação priorizará o mérito científico, o impacto tecnológico e a real capacidade de cooperação entre as equipes brasileiras e africanas.
Para profissionais e pesquisadores, esta é uma oportunidade de alavancar carreiras em projetos de impacto internacional e utilizar a tecnologia como ferramenta de combate a desigualdades sociais. Interessados devem consultar os critérios detalhados diretamente no portal oficial do CNPq antes de submeter o projeto.