Inovação · 3 min

Brasil quer deixar de exportar minério bruto para liderar tecnologia mineral

MCTI cria grupo de trabalho para desenvolver o programa Inova+Mineral e fortalecer a indústria nacional de baterias e semicondutores.

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Homem em caverna analisando minerais estratégicos para tecnologia.
Homem em caverna analisando minerais estratégicos para tecnologia.

A riqueza mineral brasileira está no centro de uma nova estratégia de soberania nacional e desenvolvimento econômico. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) oficializou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a criação de um Grupo de Trabalho (GT) focado em transformar o Brasil em um polo de inovação tecnológica, reduzindo a dependência histórica da exportação de matéria-prima bruta para o mercado internacional.

O objetivo central do grupo é elaborar a proposta do Programa Inova+Mineral. Essa iniciativa pretende estruturar uma agenda nacional para fortalecer a infraestrutura científica e formar profissionais especializados.

O foco está na agregação de valor às cadeias minerais, permitindo que o país produza tecnologia de ponta para baterias de celulares, painéis solares e carros elétricos em solo nacional.

Soberania e transição energética

Durante o evento de lançamento em Brasília, a ministra Luciana Santos destacou que a demanda global por minerais críticos cresce em ritmo acelerado com a digitalização e a transição energética.

Segundo a ministra, o Brasil possui inteligência e capacidade produtiva para deixar de ser apenas um fornecedor de insumos básicos e passar a exportar conhecimento e inovação.

O grupo terá como referências estratégicas a Política Mineral Brasileira e a Nova Indústria Brasil (NIB). Entre as prioridades estão materiais como lítio, cobre, níquel, grafita, nióbio e terras-raras.

Esses insumos são fundamentais para a fabricação de semicondutores e sistemas de energia renovável, setores onde o Brasil busca ampliar sua presença competitiva.

Estrutura e próximos passos

  • Coordenação: O trabalho será liderado pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec/MCTI).

  • Participantes: Instituições como Finep, CNPq, Embrapii, Cetem e CGEE integram o projeto.

  • Prazo: A proposta final deve ser apresentada em até 90 dias, com possibilidade de uma única prorrogação.

O cenário para o investimento já mostra sinais de aquecimento. Entre 2023 e 2025, a Finep registrou um crescimento de 235% na contratação de projetos de pesquisa e inovação, movimentando mais de R$ 45 bilhões.

Desse montante, R$ 200 milhões são destinados especificamente para soluções tecnológicas na transformação mineral e descarbonização.

Com essa movimentação, o governo federal espera integrar universidades e empresas para consolidar uma economia circular e sustentável.

O foco não é apenas extrair, mas recuperar áreas degradadas, monitorar barragens e reciclar resíduos eletrônicos, garantindo que o avanço tecnológico caminhe lado a lado com a proteção ambiental e a segurança nacional.

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