O Brasil avançou em sua estratégia de soberania tecnológica com o anúncio de novos investimentos de R$ 88,4 milhões destinados ao setor espacial e de defesa. O aporte foi formalizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Finep durante a SpaceBR Show, em São Paulo, evento que destaca o papel do país na corrida tecnológica global.
A ministra Luciana Santos reforçou que a construção da autonomia nacional depende diretamente do domínio de tecnologias de alta complexidade. Entre os destaques, a visita ao protótipo do Micro Lançador Brasileiro (ML-BR) e a assinatura de contratos para sistemas de propulsão e radares avançados marcaram o compromisso do governo com a Nova Indústria Brasil (NIB).
Micro Lançador Brasileiro e a meta de autonomia
O ML-BR é um dos projetos mais estratégicos para o setor aeroespacial brasileiro. Desenvolvido por um consórcio liderado pela Cenic em parceria com empresas como ETSYS, DELSIS, Plasmahub e Concert, o veículo entrou na fase de integração do seu modelo estrutural.
Com um investimento total de R$ 192 milhões, sendo quase R$ 190 milhões provenientes do FNDCT, o projeto visa capacitar o Brasil a realizar o lançamento autônomo de nano e microssatélites.
Tecnologia de propulsão nacional
Além do lançador, a busca pela soberania se estende aos componentes críticos. Um contrato de R$ 26,4 milhões foi firmado com a Bizu Tecnologias Aeroespaciais para criar uma plataforma de propulsão líquida baseada em peróxido de hidrogênio.
Este projeto, liderado por ex-alunos do ITA, inclui o desenvolvimento da turbobomba POSEIDON, peça fundamental para garantir a competitividade dos futuros lançadores nacionais.
Impacto na Amazônia Azul: O projeto MANTA, da IACIT, recebeu R$ 62,1 milhões para desenvolver radares com alcance de 350 milhas náuticas. A tecnologia será integrada ao SisGAAz da Marinha, fortalecendo a segurança e o monitoramento estratégico das águas territoriais brasileiras.
O papel da Nova Indústria Brasil (NIB)
Os projetos anunciados na SpaceBR Show fazem parte da Missão 6 da NIB, voltada especificamente para a soberania e defesa. Segundo dados do MCTI, a iniciativa já destinou R$ 3,3 bilhões para 69 projetos estratégicos.
No total, a política já soma R$ 42 bilhões em investimentos desde o seu início, abrangendo mais de 3,4 mil projetos de inovação em todo o país.
Perguntas Frequentes
O que é o projeto ML-BR?
O Micro Lançador Brasileiro (ML-BR) é um foguete desenvolvido pela indústria nacional para colocar pequenos satélites em órbita, eliminando a dependência externa para acesso ao espaço.
Qual a função da turbobomba POSEIDON?
Trata-se de um sistema crítico de propulsão líquida para foguetes, sendo desenvolvido por uma deeptech brasileira para aumentar a eficiência e a soberania dos lançadores nacionais.
O que é o SisGAAz?
É o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, utilizado pela Marinha do Brasil para monitorar riquezas e garantir a segurança das águas jurisdicionais do país.
De onde vêm os recursos para esses projetos?
A maior parte dos investimentos é financiada pela Finep, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Qual a importância das deeptechs nesse cenário?
As deeptechs, como a Bizu, trazem inovação baseada em pesquisa avançada (muitas vezes nascida no meio acadêmico, como o ITA), sendo essenciais para a soberania tecnológica do Brasil.