O projeto OpenCDN, iniciativa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), atingiu a marca de 1 Tb/s de tráfego total de dados. O número, registrado em abril de 2026, consolida um avanço significativo na descentralização da distribuição de conteúdos digitais no país, impactando diretamente a qualidade da conexão dos usuários e a estrutura de custos de provedores de internet (ISPs).
Ao utilizar servidores de cache instalados em centros de dados parceiros e integrados aos Pontos de Troca de Tráfego do IX.br, a infraestrutura cria atalhos digitais. Isso encurta a distância física entre grandes plataformas — como Google, Meta, Netflix e Globo — e o consumidor final, reduzindo drasticamente a dependência de trânsito IP de longa distância.
Descentralização e impacto técnico
O maior gargalo da rede brasileira sempre foi a concentração de tráfego em poucos polos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Antonio M. Moreiras, Gerente de Projetos e Desenvolvimento no NIC.br, destaca que a estratégia do OpenCDN ataca esse problema estrutural. Ao distribuir cópias de conteúdos populares em cidades de diversas regiões, o projeto diminui a latência, reduz o congestionamento em horários de pico e aumenta a estabilidade das conexões regionais.
Para profissionais de infraestrutura e engenharia de redes, o benefício é claro: uma topologia de rede mais robusta, com menor índice de falhas e uma entrega de pacotes mais eficiente, mesmo fora dos grandes eixos metropolitanos.
Economia estratégica para ISPs
Além da performance, o OpenCDN oferece um ganho econômico direto. Estima-se que, com o volume atual de 1 Tb/s, a economia anual para os provedores brasileiros — considerando custos de trânsito IP entre R$ 0,80 e R$ 3,00 por Mbps — possa variar entre R$ 9,6 milhões e R$ 36 milhões.
Para os pequenos e médios provedores, a adesão ao modelo é vital. Como cerca de 70% do tráfego típico de um ISP é composto por conteúdos armazenáveis em cache, o acesso direto a essas CDNs via IX.br local muda a sustentabilidade financeira da operação.
Presença nacional e expansão
Desde o seu início em 2018, com um projeto piloto em Salvador, o OpenCDN expandiu sua malha para diversas cidades estratégicas. Confira onde a infraestrutura já está consolidada:
Salvador (BA)
Manaus (AM)
Brasília (DF)
Belo Horizonte (MG)
Recife (PE)
Caruaru (PE)
Feira de Santana (BA)
Belém (PA)
Goiânia (GO)
A próxima etapa de expansão do projeto inclui a cidade de Campo Grande (MS), continuando o plano de levar mais eficiência e resiliência à infraestrutura da Internet nacional sob a gestão do NIC.br e as diretrizes do CGI.br.