A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) identificou que a qualidade da informação prestada ao consumidor é o ponto mais crítico da banda larga no Brasil atualmente. Embora a infraestrutura e a velocidade de conexão tenham apresentado avanços históricos, a falta de transparência nas ofertas e na comunicação com o usuário final compromete a percepção de valor do serviço. A análise foi apresentada por Cristiana Camarate, superintendente de Relações com Consumidores da Anatel, durante o Abrint Global Congress (AGC) 2026.
Segundo a agência, o déficit de clareza nas informações ocorre em um cenário de forte expansão técnica. A integração de indicadores técnicos com a percepção dos usuários revela que, apesar da satisfação com o funcionamento da rede, o consumidor ainda enfrenta dificuldades para entender exatamente o que está contratando. Esse descompasso gera ruídos que afetam tanto a tomada de decisão quanto o uso eficiente da tecnologia disponível.
Salto na infraestrutura e velocidades de conexão
Os dados apresentados pela Anatel demonstram uma evolução acelerada na capacidade de rede do país nos últimos cinco anos. O investimento contínuo das operadoras e provedores regionais resultou em um crescimento expressivo na velocidade média contratada pelos brasileiros. Confira a evolução no período:
| Ano | Velocidade Média (Mbps) | Crescimento Percentual |
|---|---|---|
| 2020 | 89 Mbps | Base |
| 2025 | ~500 Mbps | 557% |
Arraste para o lado para ver toda a tabela.
Este avanço é sustentado por investimentos reais em fibra óptica e novas tecnologias de rede. No entanto, Cristiana Camarate ressalta que a comunicação comercial do setor permaneceu focada quase exclusivamente na velocidade, o que moldou uma percepção limitada por parte do público.
Medição e multiplicidade de metodologias
Para o setor de TI e infraestrutura, a Anatel defende que a existência de diferentes metodologias de medição, como as do NIC.br e de entidades internacionais, é um fator positivo. A agência entende que esses dados são complementares e devem ser unificados para orientar políticas públicas e estratégias de mercado mais assertivas.
Uso de dados integrados para gerar indicativos de atuação regulatória.
Parcerias para consolidar indicadores que reflitam a experiência real do usuário.
Criação de modelos que integram desempenho de rede e entrega efetiva do serviço.
Implementação de selos de qualidade para aumentar a previsibilidade do mercado.
A meta é que o consumidor tenha acesso a uma comunicação mais transparente, permitindo que ele saiba exatamente o que está adquirindo. A Anatel busca dissociar a qualidade apenas do número de Mbps, focando também na estabilidade e no atendimento prestado.
Conectividade escolar e políticas públicas
Outro ponto discutido foi o impacto das políticas públicas na expansão da rede. A Anatel avalia positivamente as sinalizações do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a conectividade em escolas. A agência destacou que já existem compromissos oriundos do leilão do 5G que destinaram aproximadamente R$ 3,1 bilhões para este fim.
A preocupação central da reguladora é evitar a sobreposição de esforços e garantir que as escolas sejam conectadas sem duplicidade de recursos governamentais. A sinergia entre as ações é vista como essencial para que a infraestrutura chegue onde ainda há lacunas digitais, especialmente em áreas remotas atendidas por provedores regionais.
O papel da Abrint e dos provedores de internet (ISPs) foi reforçado como fundamental para a interiorização da rede. Essas empresas são responsáveis pela chamada última milha, garantindo que a alta capacidade de tráfego chegue aos domicílios e empresas em todo o território nacional, fomentando a competitividade e a inovação tecnológica no setor de telecomunicações.