O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deu um passo decisivo para consolidar o Brasil no mapa global da computação quântica. Foi lançado nesta sexta-feira (19), em João Pessoa (PB), o Projeto Residência em Tecnologias Quânticas, uma iniciativa voltada à qualificação de talentos e ao fomento de deeptechs nacionais com um aporte de R$ 20 milhões.
O programa prevê a oferta de 156 bolsas de estudo ao longo de 36 meses, com a meta de capacitar cerca de 500 profissionais, pesquisadores e estudantes. A iniciativa busca suprir a crescente demanda por especialistas em áreas críticas como computação quântica, microeletrônica e semicondutores, elementos vitais para a soberania tecnológica do país.
Capacitação técnica em seis estados brasileiros
A residência não será restrita a um único polo. As atividades serão distribuídas estrategicamente para fomentar o ecossistema tecnológico em diferentes regiões. As cidades contempladas são: João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Goiânia (GO) e Campinas (SP).
CIQUANTA-PB: Infraestrutura de classe mundial
O coração do projeto é o recém-inaugurado CIQUANTA-PB, que contou com um investimento total de R$ 200 milhões, sendo R$ 140 milhões oriundos do Governo da Paraíba e R$ 60 milhões do MCTI. O centro abrigará os dois primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil, com capacidades de 20 e 100 qubits.
Segundo a ministra Luciana Santos, a estrutura vai além da pesquisa básica. O objetivo é criar um Hub Nacional de Experimentação Quântica, facilitando o acesso de empresas e universidades a laboratórios de ponta. A expectativa é que o conhecimento gerado atue diretamente em setores como inteligência artificial, segurança digital, saúde e novos materiais.
Foco na fabricação local de chips
Um diferencial competitivo do projeto, destacado por autoridades estaduais, é o interesse em avançar na fabricação de componentes. A ambição brasileira ultrapassa o uso de computadores quânticos prontos: o foco está na capacidade de desenvolver e fabricar semicondutores e chips, posicionando o país estrategicamente em uma cadeia de valor altamente disputada globalmente.
FAQ: O que você precisa saber sobre o Programa de Residência
Quem pode participar do programa de residência?
O programa é voltado a estudantes, pesquisadores e profissionais das áreas de engenharia elétrica, física, computação e áreas correlatas com interesse em tecnologias quânticas e deeptechs.
Quais cidades receberão as atividades?
As atividades serão sediadas em João Pessoa, Campina Grande, Fortaleza, Salvador, Goiânia e Campinas.
Qual a duração e o valor do investimento?
O projeto terá duração de 36 meses com um investimento de R$ 20 milhões apenas para o programa de residência e bolsas.
O Brasil terá computadores quânticos próprios?
Sim. O CIQUANTA-PB abrigará os dois primeiros computadores quânticos operacionais do país, com capacidades de 20 e 100 qubits.
Como essa iniciativa impacta o mercado de TI?
Ela acelera a formação de mão de obra especializada em tecnologias disruptivas, essencial para profissionais que buscam atuar em pesquisa aplicada, segurança da informação e desenvolvimento de hardware de nova geração.